Agência Estado
De São Paulo
Imagine todas as suas informações financeiras disponíveis para consulta por qualquer empresa do País. Você acha ainda que isso não é possível? Está enganado. Desde a semana passada, a Centralização dos Serviços dos Bancos (Serasa) oferece a seus clientes um novo sistema de avaliação de risco de crédito para pessoa física, que poderá tornar disponíveis informações, se houver permissão dos consumidores. No entanto, o novo programa já vem sendo contestado por alguns advogados, que consideram uma invasão de privacidade à vida do consumidor.
Com padrão de pontuação de 0 a 1.000, o sistema promete avaliar a probabilidade de o consumidor tornar-se inadimplente em um prazo determinado, permitindo, assim, o cálculo do risco da operação. O programa vai atender diversos segmentos, como cartão de crédito e cheques. A análise será feita com base em informações positivas e negativas de todo o mercado nacional.
‘‘Vamos considerar o comportamento do consumidor dentro de um período, cruzando as informações por meio de uma metodologia estatística e criando, consequentemente, o histórico do cliente’’, explica o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca. Os dados serão repassados por meio de autorização do consumidor sempre que este estiver em processo de contratação de crédito. Assim, todos os seus dados poderão ser acessados por qualquer empresa que possua contrato com a instituição, em operações futuras de crédito.
O banco de dados da Serasa já possui 115 milhões de CPFs inscritos. No entanto, a instituição não soube informar de quantos consumidores há cadastro com os dados completos.
O que poucos sabem é que algumas empresas já incluem em seus contratos uma cláusula que autoriza a transferência de dados. O advogado Marcos Velloza conhece bem essa prática, pois já se recusou a assinar um contrato que continha essa determinação. Mas isso pode significar um problema para o consumidor, pois não há garantias de que, diante da recusa, as empresas continuarão concedendo o crédito.

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