Em profunda crise financeira e acumulando prejuízos há algum tempo, mais de 150 criadores de frango no sistema integrado da região de Astorga, Norte do Estado, reunem-se hoje, às 13 horas, na AABB de astorga para protestar contra os baixos preços pagos pelos abatedouros.
Organizado pela Federação da Agricultura do Paraná (Feap) e Nurespar (Núcleo dos Sindicatos Rurais do Norte e Noroeste do Paraná - 38 entidades de 90 municípios), o encontro vai firmar posição em defesa dos produtores. Se não houver imediato reajuste nos preços, os avicultores estão dispostos a abandonar a atividade.
Estudos da Embrapa e da Universidade Federal do Paraná encomendados pela Faep junto aos criadores apontam para enormes perdas financeiras. ‘‘A situação é muito caótica e chegamos ao fundo do poço’’, resume Guerino Guandalini, presidente do Nurespar e do Sindicato Rural de Astorga.
Haverá palestras de dois especialistas em custos de produção, um da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e outro da Embrapa.
Prejuízos - Pelo sistema integrado, os abatedouros de aves entregam o pintinho de um dia, sendo responsáveis pelo fornecimento de rações, medicamentos e assistência técnica. Em torno de 52 dias após, recolhem a ave com peso médio de 2,4 kg. O avicultor não recebe em média, na atualidade, acima de R$ 0,13 por frango embora seu custo seja superior a R$ 0,16 por unidade na média geral.
O criador responde pelos investimentos em barracão (entre R$ 50 mil a R$ 90 mil para criação de 15 mil aves, dependendo da tecnologia escolhida), mão-de-obra, gás, energia elétrica, encargos sociais e despesas complementares. Existem casos em que os avicultores não percebem nem R$ 0,11 por frango gordo. Esses números foram levantados pelos pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Paraná e serão debatidos no encontro de hoje, em Astorga.
O município, que reúne mais de 100 avicultores integrados, já foram desativados mais de 30 aviários. Quem cria 14 mil frangos, no período de 60 dias, arca com custo de R$ 2.123,00 e recebe apenas R$ 2.240,00. Resta-lhe o ‘‘lucro’’ líquido de R$ 117,00, valor inviável para remuneração do capital investido, cobertura dos gastos e remuneração mínima.
O presidente do Sindicato, Guerino Guadalini, disse que uma das decisões do encontro de hoje é a formação de uma comissão de produtores para negociar uma solução com as integradoras. ‘‘Até acho que elas não têm culpa pela situação conjuntural, mas o produtor tem que garantir o seu lucro’’, disse Guedalini.

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