Sistema inédito garante preço da soja
Da Redação
Uma proposta para que o governo adote, nesta safra 1999/2000, o lançamento de contratos de opções de compras de soja e milho, pode inovar o mercado desses produtos e garantir sustentação de preços ao produtor. Pelo sistema de contrato de opções, o produtor só vai vender a soja acima de R$ 20,00/saca e o milho acima de R$ 10,00, mesmo na época de plena oferta. A proposta foi apresentada aos técnicos dos ministérios da Fazenda e Agricultura e Conab na semana passada pela Comissão de Grãos e Crédito Rural da FAEP e Comissão de Cereais, Grãos e Fibras da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, que preside as duas comissões, os contratos de opções de compra seriam de 10 milhões de toneladas de milho a R$ 10,00/saca, preço de abril do próximo ano, e 10 milhões de toneladas de soja, a R$ 20,00/saca, também ao preço de abril.
Através desses contratos, aconteça o que acontecer na economia, o produtor estará garantido com aqueles preços. Mas, se na colheita, o preço aumentar, isto é se o mercado apresentar melhor preço, o agricultor receberá a diferença através do seguro (hedge). Os contratos de opção garantem a sustentação de preços.
É como se fosse um preço mínimo, a diferença é que trata-se de um contrato. Sendo contrato, não é promessa de governo, resume Ponti. No contrato de opções, o governo não precisa pôr dinheiro, tudo fica por conta do mercado, a não ser o seguro. Ponti já calculou até os valores que o Tesouro teria de bancar - cerca de R$ 150 milhões -, baseado na simulação de algumas situações de mercado. Se o produtor de soja faz a opção por R$ 20,00/saca, mas na época da comercialização o produto chega a R$ 19,00, ele recebe o preço máximo porque o governo está bancando a diferença. No entanto, projeções com base nos atuais preços de mercado, soja chegará aos R$ 20,00 sem dificuldade.
Pelo novo sistema, que Edison Mazei Ponti considera inédito, o Governo apenas banca a diferença: assim, quando chegar na hora de vender, o produtor pode receber até mais pelo produto - se o mercado assim o permitir - jamais receberá menos do que é contratado nesta operação que funciona como uma venda antecipada. Ao final da comercialização, o diferencial bancado pelo governo poderia ser lançado através do PEP Prêmio de Escoamento da Produção.
Seguro Rural Desde o início do ano, governo e entidades rurais vêm tentando uma nova forma de seguro agrícola, que realmente ampare a produção. Foram estudados vários modelos. Segundo Edison Mazei Ponti, o Paraná vai tentar um projeto piloto com a Porto Seguro. A idéia é implantar um sistema que realmente ampare a produção e não apenas os custos de implantação da lavoura. Os modelos do Proagro e da Cosesp - do Estado de São Paulo - são muito burocatizados, segundo Ponti. Ele disse que o Paraná precisa de m modelo mais abrangente.





