São Paulo - A escassez de mão-de-obra qualificada no Brasil vem de um descompasso entre a oferta atual de cursos técnicos e a demanda dos setores que crescem de forma mais pujante, como serviços e alguns segmentos da indústria.
''Falta um sistema de ensino público profissionalizante que atenda às necessidades desses setores que crescem acima da média, como os de mineração e açúcar e álcool'', avalia o economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
No mês passado o governo federal anunciou o investimento de R$ 1 bilhão para a criação de 150 escolas federais de ensino técnico, dentro do Plano de Desenvolvimento da Educação. O objetivo é resolver uma difícil equação. Segundo o Ministério da Educação (MEC), há cerca de 200 mil vagas de emprego à espera de candidatos de nível técnico. Por outro lado, nunca as taxas de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos foi tão alta: 4,4 milhões de pessoas nessa faixa etária estão desocupadas.
''A formação técnica no Brasil ainda é feita, na maior parte das vezes, distante do local de trabalho e com pouca experiência concreta no chão da empresa. Antes de se ofertar mais cursos, é preciso saber que tipo de profissional o País vai demandar agora e nos próximos anos'', diz Pochmann. ''A economia não cresce de forma generalizada, são setores específicos.''
Outro motivo que tem levado a essa crise é que a empresa perdeu, na década de 1990, seu caráter formador de mão-de-obra. ''Antes, as empresas tinham o hábito de investir em formação profissional em áreas que necessitavam. Depois, passaram por um forte enxugamento de estruturas e de custos, que cortou parte desse investimento. Agora, elas têm que voltar à questão'', diz.
Favelas - Duas parcerias entre a iniciativa privada e a ONG Viva Rio estão oferecendo cursos de profissionalização e inserção no mercado de trabalho para 320 jovens de favelas cariocas. São aulas de informática, programação para internet e montagem de computadores que poderão render oportunidades de trabalho em empresas como TIM, White Martins, Florence CPM e DBA.
''São jovens em situação de risco. Eles terminam o ensino médio sem perspectiva de trabalho. O objetivo é dar a eles uma chance de entrar no mercado'', afirma a psicóloga da Viva Rio, Melissa Castelli. Uma das iniciativas foi firmada com o Instituto Unibanco, e recebeu o nome de ''Formação para o trabalho''. O programa começou em 2006, com 100 jovens, de 500 inscritos. Este ano são 120, selecionados num universo de 900 inscrições.

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