Sistema de cooperativa reativa Berguer Calçados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de abril de 1998
Guto Rocha 
Mário CesarPatrimônioLeila Zacarias, do Sindicato das Indústrias do Vestuário: Mão-de-obra não podia ser desperdiçadaA formação de uma cooperativa de produção foi a saída encontrada pelo Sindicato das Indústrias do Vestuário de Londrina e Região para manter empregos e o funcionamento da Berguer Calçados e Luvas, de Rolândia. Segundo a diretora-presidente do sindicato, Leila Aparecida Zacarias, dentro de 20 dias um grupo de funcionários da Berguer irá assumir a administração da indústria através da cooperativa. A indústria contava com mão-de-obra especializada que não podia ser desperdiçada, comentou.
No ano passado, diz Leila, indústria fechou suas portas e cerca de 800 empregos foram extintos. A presidente do sindicato explica que a Berguer Calçados e Luvas tinha dívidas trabalhistas e com o próprio sindicato que foram transformadas em um clube de crédito. Até agora, este clube conta com a participação de 35 funcionários, que formam a cooperativa. Pegamos o maquinário como parte do pagamento das dívidas que o Berguer tinha com o Sindicato, que é de R$ 60 mil. Valor que cobre os maquinários e ainda sobra, afirma.
Leila observa que a indústria, que produzia calçados de segurança e luvas de raspa de couro, tinha 90% do seu contrato social vinculado à massa falida do Curtume Berguer, também de Rolândia, e que por isso, o proprietário não tem condições de saldar suas dívidas trabalhistas. A idéia é que com o passar do tempo, a cooperativa pague com o resultado da produção o maquinário e também os créditos trabalhistas.
Segundo Leila, todos os documentos e estatutos da cooperativa já estão finalizados, bastando apenas a concordância do proprietário da indústria para que os funcionários assumam o comando. Mas acreditamos que não haverá problemas, porque quando a indústria começou a ter problemas, o sr. Florisberto Berguer nos procurou para que ajudássemos a encotrar uma saída para os funcionários, comentou. Leila diz que o sindicato continuará prestando assessoria gratuita para a cooperativa enquanto for necessáerio. A cooperativa que terá uma diretoria eleita pelos próprio funcionários.
Agora, o sindicato está tentando obter junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) crédito para a compra de matéria-prima. Mas no início vamos trocar produto acabado por matéria-prima, comenta. Inicialmente, a cooperativa irá gerar 60 empregos, e terá uma produção mensal de 400 pares de sapatos e 260 pares de luvas.
Leila afirma que o sindicato está estudando a criação de novas cooperativas de produção para reativar indústrias de confecções que fecharam em Londrina. Ela diz que existem seis empresas do setor que podem voltar a funcionar através do sistema cooperativo. Com isso, teremos de volta cerca de 200 empregos, comenta.


