Presidente da Cooperativa de Trabalhadores Autônomos na Agricultura, Indústria e Comércio, com sede em Londrina, Manoel Moreira Alves (foto) fala que mesmo cumprindo com a legislação, a entidade encontra resistência na Delegacia do Trabalho: ‘‘Eles vêem no sistema uma forma de sonegação, quando deveriam pensar que cooperativa é a solução para o trabalhador desempregado’’. Alves sabe, ao mesmo tempo, da existência de falsas entidades no mercado, atuando contra os princípios e a lei do cooperativismo.
Ele argumenta que hoje as empresas estão procurando trabalhadores qualificados e não encontram, ou quando encontram, é com muita dificuldade. A cooperativa seria então uma prestadora de serviços qualificados. ‘‘Temos três eixos de atuação em Londrina: o cooperativismo de trabalho; a profissionalização e a educação do cooperado’’.
Alves conta que a entidade, prestadora de serviços gerais em fábricas, conseguiu verbas (falta a liberação) para montar uma padaria 24 horas e promover cursos profissionalizantes na área de industrialização de alimentos.
‘‘O cooperado vai ter que se comprometer a frequentar os cursos ou, se for o caso, passar pela alfabetização’’. Hoje são cerca de 120 trabalhadores ligados à entidade e mais de 400 querendo ser sócios. ‘‘Nós temos cinco cooperados preparados para a alfabetização de adultos, seguindo o modelo Paulo Freire de educação’’.
Ele explica que para dar continuidade à alfabetização, o trabalhador será encaminhado ao Supletivo (1º e 2º Graus). Cooperados qualificados e profissionais de áreas diversas também estão dispostos a dar cursos profissionalizantes, segundo o presidente.
A cooperativa, autorizada a funcionar em julho do ano passado, fez sua primeira prestação de serviços em fábricas no mês seguinte e hoje conta com mais de 20 empresas-clientes. Os recursos que devem bancar o projeto da padaria e da escola virão da Finep (Financiamentos de Estudos e Projetos) a custos baixos. Silva diz que o cooperado recebe o equivalente ao piso da categoria a que pertence mais 27,44% referentes a férias, 13º salário e fundo de garantia. ‘‘Temos um fundo e, havendo sobra, tudo é dividido’’. (B.F.)

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