Sistema atual é concentrador
São Paulo - ''O banco nem sempre é vilão, embora às vezes seja'', pondera o consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas do Banco Central, em São Paulo, Eduardo Luis Lundberg. Já o spread alto muitas vezes decorre de contingências.''
Uma delas, sustentada até a morte pelos agentes do sistema financeiro, é de que o crédito no Brasil ainda é uma operação de risco. O relatório parcial da subcomissão especial da Comissão de Finanças da Câmara formada para debater a questão, elaborado pelo deputado Gonzaga Mota (PSDB-CE), não bate com o que os bancos apregoam como verdade. As despesas de inadimplência, que em julho de 1999 pesavam 35% na composição do spread, em agosto de 2003 haviam caído para 19%.
A redução do risco apontada pelo relatório da subcomissão da Câmara não chega a alterar o ranking das operações mais sensíveis de crédito. A habitação ainda é a que mais se ressente da desconfiança. Em dezembro de 2003, segundo dados do BC, foram concedidos R$ 23,1 bilhões em créditos habitacionais. Já em financiamentos para a compra de automóveis foram destinados créditos de R$ 30,1 bilhões.
''O Banco Central tem tratado a concorrência bancária de forma marginal'', diz o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), João Grandino Rodas. Até o Fundo Monetário Internacional (FMI) já sabia disso. Agnes Belaisch, economista da instituição, publicou no ano passado um estudo com um título nada sutil Do brazilian banks compete? (Os bancos brasileiros competem?) e uma resposta menos ainda.
No fim da linha a culpa recai sempre sobre a mesma ré: a dívida pública. ''A renegociação feita por meio da Selic torna o governo o maior cliente dos bancos, deixando as pessoas físicas e jurídicas sem poder de concorrência'', afirma Rogério Sobreira, da Ebape-FGV. ''O sistema que está aí é concentrador não só de renda, mas também de crédito'', diz Eduardo Luis Lundberg, do Banco Central. ''É preciso uma oferta maior de crédito com juros mais baixos para promover a inserção de mais gente no capitalismo.''





