A demora no desembaraço dos caminhões, causada por problemas ligados à implantação do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), pode provocar ‘‘prejuízos de monta’’, declarou a Associação Brasileira de Transportadores Internacionais.
O secretário-executivo da entidade, Samuel Zubeldia Nebenzhal, disse ontem estar preocupado com a ‘‘perda de qualidade’’ de produtos alimentícios,
mesmo os transportados por caminhões com refrigeração parados nas fronteiras do País. Ele declarou que, com o passar dos dias, a capacidade de refrigeração dos caminhões diminui. No Rio Grande do Sul, a temperatura tem superado os 30 graus, o que favorece a deterioração.
O secretário não descartou a hipótese de que produtos de origem animal e vegetal venham a ser condenados pela inspeção sanitária por causa da demora. Ontem pela manhã, havia 428 caminhões na Estação Aduaneira de Fronteira, em Uruguaiana (RS), na divisa com a Argentina. Antes do Siscomex, que entrou em operação no último dia 1º, o número médio de caminhões no local era de 300.
Cerca de 30% dos caminhões transportam produtos alimentícios - o resto é carga industrial. Há casos de caminhões parados há cerca de duas semanas devido à demora na obtenção da licença de importação. Alguns caminhões, com embarques feitos ainda no ano passado, conforme Nebenzhal, precisam transformar a antiga guia de importação na atual licença de importação no Banco do Brasil.
Ele disse que os despachantes ou importadores não estão conseguindo isso porque o BB está com dificuldade para acessar o Siscomex. Esse problema também afeta os caminhões com cargas bloqueadas pela Secretaria de Comércio Exterior, que necessitam obter licenciamento no BB. Nebenzhal disse que o Siscomex enfrenta problemas porque os despachantes e importadores não investiram em computadores adequados e usam linhas telefônicas convencionais, sujeitas a quedas e interrupções. Ele também disse que o sistema está sendo prejudicado pela falta de treinamento dos usuários e pela limitação de apenas uma senha de acesso por cada importador, mesmo que ele tenha vários computadores, fato que não permite a realização de operações simultâneas.

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