Siscomex já desembaraça cargas em Foz
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Montezuma Cruz Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de Souza/Arquivo FolhaCongestionamentoAduana da Ponte Tancredo Neves, fronteira com Puerto Iguazú, teve concentração de caminhões nos últimos dias
O Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para importação começou ontem a desembaraçar significativa parcela das cargas de produtos estrangeiros retidos há mais de uma semana em Foz do Iguaçu.
Mesmo assim, ainda existe uma fila com aproximadamente 300 caminhões entre Puerto Iguazú (Argentina) e a aduana da Ponte Tancredo Neves. Os motoristas esperam o desembaraço dos produtos.
Segundo o despachante Mário Alberto de Camargo, do Escritório Exacta, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) autorizou, pouco depois de 17 horas, a liberação das antigas GIs (guias de importação) emitidas até 31 de dezembro e que, legalmente, deveriam ser substituídas por LIs (licenças de importação).
Um dos maiores obstáculos encontrados pelos importadores no período (2 a 13 de janeiro) foi a falta de terminais de computador com o programa do Siscomex nas agências do Banco do Brasil; até a agência da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo estava sem, comentou Camargo.
Reunido na Delegacia da Receita Federal com o coordenador do Siscomex, Lenísio Navarro Carrion, o despachante obteve acesso direto à Secex em Brasília e no Rio de Janeiro. A autorização da Secex e da Receita possibilitaram a liberação de 200 caminhões e carretas que transportam óleo vegetal e algodão procedentes da Argentina e do Paraguai.
A questão agora é pegar o fio da meada, disse Devanir Lopes, funcionário da Transportadora Falcão. Satisfeito, ele disse que, finalmente, a empresa conseguiu liberar 28 caminhões que se encontravam na área aduaneira até o final da semana, carregados com madeira e algodão.
Devanir disse que o Siscomex começa a dar frutos e lembra que na instalação do sistema para exportação, em 1993, a demora foi semelhante.
Na EAF, que fica na BR-277 (saída para Cascavel e Curitiba), a Receita escalou equipes para três turnos, visando acelerar a liberação das cargas. A primeira equipe trabalha das 8 às 13 horas, a segunda vai até às 19 h, e a terceira entra na madrugada do dia seguinte.
O software do Siscomex custou US$ 50 milhões e a partir do momento em que todos os despachantes e importadores estiverem na rede, ele permitirá que as operações de entrada de produtos no País sejam consolidadas a cada 2 dias. O objetivo do governo federal é fazê-lo operar em tempo real, para calcular a balança comercial.
Até o final do ano, a importação de um produto exigia cerca de 300 informações em três documentos básicos e em 30 vias. Esse volume foi reduzido para 115 operações numa única via.


