Singer dá aula na UEL e condena venda da Vale
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Cláudia Lopes 
Arquivo FolhaSinger: aula inauguralO professor da Universidade de São Paulo (USP), Paul Singer, fez palestra ontem durante aula inaugural no curso de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Um dos assuntos abordados foi a privatização da Companhia Vale do Rio Doce. O leilão está marcado para o próximo mês. Singer, que é contra a venda da estatal, diz não concordar com a privatização pelo fato de a companhia ter sido concebida não para dar lucro, mas para garantir a extração dos minerais de maneira adequada.
Os minerais são recursos não renováveis, de caráter estratégico, e precisam de uma política especial. A Vale foi feita para permitir que o Brasil explorasse as suas riquezas minerais da melhor forma possível. Ela não tem que dar lucro, defende Singer. Com lance mínimo de pouco mais de US$ 5 bilhões, a Companhia não pode ser avaliada por seu valor patrimonial, segundo Singer. É uma empresa pública com muitos propósitos.
Singer acha que a desestatização é positiva em alguns casos e negativa em outros. Algumas privatizações como a de Volta Redonda melhoraram o setor de siderurgia. Mas, neste caso, existe a concorrência, explica Singer, que é contra a venda de estatais detentoras de monopólios.
Com a venda da Light, Singer diz que o País corre o risco de ter, no futuro, problemas de blecaute. Para dar lucro as tarifas precisam ser altas. Como a população vai pressionar o governo contra aumentos, as empresas podem deixar de investir, comprometendo o abastecimento.
Para ele, água e esgoto são serviços essenciais para a sáude pública, e não mercadorias. Serviços vitais não podem ser privatizados. Só isso garante que os favelados, que não podem pagar, tenham água limpa. Singer observa que privatização é um fenômeno mundial. Os empresários estão fazendo pressão no mundo inteiro a favor da privatização. É uma questão ideológica, que tem como principal argumento o de que uma empresa para ser eficiente deve ser privada.


