Embora o Sine (Sistema Nacional de Emprego) do Paraná tenha registrado, no ano passado, o melhor desempenho na colocação de trabalhadores no mercado formal (com carteira assinada) em relação aos demais Sines do País - 45.649 pessoas empregadas - o Estado foi o que mais inscreveu desempregados em 97: 481.967. Os nove Estados que compõem a região Nordeste conseguiram empregar, juntos, 43.490 pessoas. Em contrapartida, tiveram 278.891 inscritos no sistema. A diferença entre o número de inscritos e os colocados mostra que o Paraná empregou apenas 9,5% das pessoas que recorreram ao Sine no ano passado. A média nacional de colocação foi de 11,29%.
Nos últimos três anos, o número de desempregados inscritos no Sine/Paraná praticamente triplicou. Foram 176.890 inscritos em 95 contra os 481.967 do ano passado. A taxa de colocação de trabalhadores há três anos foi melhor: cerca de 14%. A coordenadora de intermediação de mão-de-obra do Sine/Paraná, Maria Inês Prevedello Pereira, acredita que o aumento da procura pelo sistema no ano passado se deve ao fechamento de postos de trabalho. ‘‘É a conjuntura econômica’’, diz. Para atender a demanda, Maria Inês afirma que o Sine precisaria oferecer pelo menos 200 mil vagas. Em 97, o sistema ofereceu cerca de 77 mil vagas.
Maria Inês diz que o número de colocação no ano passado foi bom, considerando o cenário nacional, devido a criação do Sempre (Sistema Público de Emprego). ‘‘Apesar de ter sido criado em 95, o Sempre se consolidou no ano passado. Além da intermediação da mão-de-obra, passamos a oferecer qualificação profissional e uma série de serviços às empresas. Isso nos diferencia de outros Estados’’, entende.
Segundo ela, a instalação de montadoras como a Renault, Crysler e Audi no Paraná só farão diferença em termos de colocação de mão-de-obra a partir deste ano. ‘‘Por enquanto, estamos capacitando os inscritos no sistema para que possam disputar as vagas que serão oferecidas pelas montadoras’’, diz Maria Inês. Existem 117 agências e postos do Sine no Paraná, onde trabalham 400 agentes.
‘‘Para amenizar o problema do desemprego no País, o governo precisa dar incentivos para o empresariado criar novos postos de trabalho’’, diz Maria Inês. Por causa da atual conjuntura econômica, ela conta que o Sine/Paraná está captando vagas no mercado informal (empregos temporários) desde o ano passado. ‘‘Além das 45.649 colocações no mercado formal, conseguimos três mil colocações no informal’’, diz. Em 97, o Sine registrou nove mil solicitações de empresas oferecendo vagas informais. ‘‘Apesar de termos como norma encaminhar empregados apenas para a formalidade, tivemos que criar mecanismos para possibilitar que estes trabalhadores tenham alguma fonte de renda’’. Cerca de 1,5 mil pessoas procuram a agência central do Sine em Curitiba diariamente. ‘‘Não podemos nos alienar frente a esta realidade’’.
Maria Inês afirma que desde o ano passado o perfil dos inscritos no Sine vem mudando. ‘‘A escolaridade e a capacitação profissional estão melhorando’’, diz. Segundo ela, as mulheres são as mais qualificadas. Cerca de 20% das mulheres que procuram o Sine tem 2º grau completo ou em curso. ‘‘Apenas 5% dos homens, que representam 70% dos inscritos no sistema, tem o 2º grau’’.

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