Sinduscon diz que juro do SFH parece agiotagem
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Agência Estado 
O vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil de Grandes Estruturas (Sinduscon), João de Souza Coelho Filho, disse ontem que a disponibilidade de R$ 672 milhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para a construção de moradias populares, anunciada pela Caixa Econômica Federal (CEF), não resultará no aquecimento do setor. Segundo ele, poucas construtoras vão se arriscar com o dinheiro da CEF por causa dos juros altos.
O custo financeiro da construção no Brasil é quatro vezes maior que em qualquer outro país, disse. Mesmo na faixa de atendimento da população de baixa renda, de interesse social, os juros chegam a 16% ao ano. Emprestar dinheiro a esse percentual, acrescido da taxa de administração e seguro, é um absurdo. Em qualquer lugar do mundo, isso seria considerado agiotagem.
Os juros altos, que já causaram quase 30% de inadimplência entre os mutuários do SFH, estão afastando também as construtoras dos empreendimentos habitacionais, de acordo com Coelho. Trabalhar nessas condições significa produzir inadimplência futura, comparou.
O representante considerou intrigante o fato de a CEF repassar aos mutuários o dinheiro do FGTS, que é corrigido a 3% ao ano, a juros de no mínimo 7% ao ano. Isso significa que a Caixa pratica um spread de 133%.
Ele disse que, nos últimos 12 meses, o SFH construiu apenas 18 mil moradias no País, o que dá uma média de três unidades por município. Esse número chega a ser ridículo para um governo que tem o social como uma de suas metas. Coelho acha que, se as regras do SFH não forem alteradas, continuarão interessando apenas aos banqueiros, que pagam 6% ao ano de juros aos poupadores e aplicam os recursos no mercado a 10% ao mês.


