A Somatropina bovina, hormônio longamente estudado pela Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, poderá ser usada livremente para aumentar a produção leiteira do gado daquele País. O produto foi recentemente liberado, informou ontem o Sindicato Nacional dos Pecuaristas de Gado de Corte (Sindipec).
Em nota oficial, a entidade assinala que o governo dos Estado Unidos não viu problemas no uso desse hormônio. ‘‘A decisão dos EUA torna ainda mais baratos os produtos pecuários exportados para o Brasil’’, diz a nota. O Sindipec lamenta que até agora não foi possível vencer a concorrência, porque o Ministério da Agricultura proibiu o uso de hormônios pelos pecuaristas nacionais. ‘‘Sem o uso da ferramenta tecnológica, eles produzem uma carne mais cara’’, argumenta.
‘‘O Brasil se curva a pressões externas do Mercado Comum Europeu que, com excesso de produção e subsídios, não quer o uso de produtos capazes de aumentar a quantidade e baixar o preço da carne’’, acusa o Sindipec. O Ministério da Saúde já fez um estudo técnico, concluindo que 5 tipos de hormônios são inteiramente seguros e podem ter seu uso liberado, mas o Ministério da Agricultura não assinou o ato de liberação. Somente em 1996, cerca de 150 mil pecuaristas brasileiros estão abandonando a criação, por falta de condições de competição.
O presidente do Sindipec, Antenor Nogueira, reitera que ‘‘apenas a pecuária bovina é impedida de usar a tecnologia’’. E se queixa: ‘‘Os suínos têm sido produzidos tradicionalmente com a ajuda de antibióticos, os quais garantem mais rápido ganho de peso, enquanto o frango abatido com 42 dias e a preço baixo, que se tornou verdadeira bandeira do Plano Real, só conseguiu tal condição valendo-se do uso de antibióticos’’.

mockup