Sindimetal quer barrar perda de trabalhadores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Londrina e Região (Sindimetal) revela que está perdendo mão-de-obra para outras praças industriais do país. Salários mais polpudos e melhores condições de vida estariam atraindo trabalhadores qualificados de Londrina para outros estados, principalmente São Paulo. Com isso, máquinas metalúrgicas caras, no valor de até R$ 300 mil, têm ficado paradas, até um ano, à espera de mãos especilizadas. Na área do Sindimetal, que compreende 89 municípios no Norte do Paraná, o setor emprega 7 mil trabalhadores em 700 indústriais.
O presidente do Sindimetal, Valter Orsi, informou que a entidade fará uma pesquisa em 40 dessas indústrias do setor no Norte do Estado - 0,57% do total de empresas - para saber quanto se paga de salários e qual o nível de especialização desses funcionários. Orsi supõe que empresas de fora estejam fazendo ''espionagem industrial'' para levar talentos das indústrias paranaenses.
Embora exista uma crise de mão-de-obra que começou a ser verificada nos últimos três anos, o setor metalmecânico vem crescendo no mesmo período a uma taxa de 10%.
A saída para alguns setores tem sido a qualificação, com parcerias com entidades formadoras de mão-de-obra, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sebrae. Também contribui para melhorar as condições do setor, a Feira de Eletromecânica e Eletrônica, que está acontecendo esta semana em Londrina. Esta é a quarta edição da feira.
''O termômetro deste crescimento da demanda por funcionários especializados é cada vez maior'', afirma Alexandre Lourenço Ferreira, gerente da Unidade de Negócios do Senai de Londrina. Segundo ele, no ano passado a instituição tinha 5 turmas de eletro e, em 2007, aumentou para 11. ''Estamos tentando nos adequar aos novos tempos'', reforça.
A FOLHA divulgou, no mês passado, que mais de 400 cursos, entre eles, tecnólogos de nível superior, serão abertos nos próximos quatro anos, com investimentos previstos no Paraná da ordem de R$ 1 milhão e outros R$ 9 milhões em todo país.
Este investimento no setor, tem mobilizado centros de excelência em tecnologia. Recentemente, a Federação das Indústrias dos Paraná (Fiep) organizou rodada entre universidades e indústrias para apresentar 72 possibilidades de empreendimentos no setor industrial. O encontro, em Londrina, demonstra a mobilização do setor não só por tecnologia, mas a busca incessante por capital intelectual, algo difícil e caro de encontrar. ''A partir das pesquisas que faremos, vamos traçar uma estratégia para estancar a perda de funcionários'', declara Orsi.


