Edson GuittiInadimplentesResidenciais financiados pela CEF estão em dificuldades pela falta de pagamentos dos condomíniosPrédios residenciais financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF), em Maringá, enfrentam dificuldades com a falta de pagamento dos mutuários que estão sendo executados pela instituição financeira. Muitos residenciais estão com até 20% dos apartamentos desocupados devido as ações de despejos programadas pela Justiça, e a CEF não está pagando os condomínios destes imóveis. A consequência é um alto índice de inandimplência dos condomínios que já preocupa os síndicos e deixa muitos residenciais sem condições de investir na manutenção básica.
Para encontrar uma saída para o problema, mais de 10 síndicos se reúnem hoje, na sede do Secovi, às 17 horas. Eles vão discutir uma forma de pressionar a CEF a efetuar o pagamento dos condomínios referentes aos apartamentos desocupados. Mais do que isso, os síndicos querem que a CEF se responsabilize pela dívida do mutuário que está sendo executado pela instituição financeira.
O condomínio residencial Vila Bela, é um dos que passam por dificuldade financeira. Há cerca de nove meses, de acordo com a síndica Cleusa Luzia Bono, a CEF iniciou uma série de execuções dos mutuários inadimplentes. Dos 90 apartamentos existentes, 20 estão desocupados. ‘‘A CEF deveria se responsabilizar pelo pagamento do condomínio destes apartamentos, mas a gerência do banco informa que isso não é possível até a sentença final do processo, quando o imóvel é devolvido ao banco’’, diz Cleusa. Quem acaba sofrendo as consequências da burocracia, critica a síndica, são os moradores que estão com as prestações em dia e que continuam no prédio. ‘‘A empresa que faz a cobrança dos condôminos já avisou que não vai renovar o contrato com a gente porque está tendo prejuízo’’, diz.
Outro residencial que passa por dificuldades é o Bento Munhos da Rocha Neto, onde, dos 96 apartamentos, 14 estão desocupados. O residencial conseguiu um acordo com a CEF, através do qual, o banco se responsabiliza pelo pagamento de 70% do valor do condomínio. De acordo com o síndico Valdecir Edson Soares, o acordo representa um avanço nas negociações, mas está longe de ser o ideal. Ele reclama principalmente da dívida acumulada pelos moradores que deixam de pagar o condomínio logo que a CEF entra com a execução do imóvel. ‘‘Muitas vezes o morador fica sem pagar até três ou quatro meses, até sair a ordem de despejo, e não podemos nos responsabilizar por esta dívida’’, afirma.
Segundo Soares, há mais de nove meses, quando a CEF iniciou as execuções, o residencial deixou de investir na manutenção do prédio. ‘‘Estamos pagando basicamente a água, luz e fazendo algumas coisas mais urgentes’’, explica. Apesar disso, Soares afirma que a situação é preocupante porque as ordens de despejos ocorrem todos os meses e a estimativa é de que 30 apartamentos do residencial sejam desocupados nos próximos meses. ‘‘Aí a situação será insustentável e a CEF estará tornando os condomínios inabitáveis’’, alerta.
De acordo com o superintendente regional da CEF, Oswaldo Vieira Ribeiro, os acordos com os residenciais financiados pela instituição são realizados a medida que os responsáveis discutem o problema no banco. ‘‘Não temos interesse em inviabilizar os condomínios, até porque a Caixa tem imóveis nestes residenciasi’’, diz. Ele afirma que a CEF está pagando em dia os condomínios dos apartamentos que pertencem à instituição e que está propondo acordos com os residenciais, onde o banco ainda não recebeu a chave do imóvel. Ribeiro não soube informar quantos imóveis estão vazios nos diversos condomínios de Maringá que pertencem à CEF ou que estão pendentes na Justiça.

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