Síndicos cobram condomínios da CEF
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segunda-feira, 24 de março de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringa 
Edson GuittiInadimplentesResidenciais financiados pela CEF estão em dificuldades pela falta de pagamentos dos condomíniosPrédios residenciais financiados pela Caixa Econômica Federal (CEF), em Maringá, enfrentam dificuldades com a falta de pagamento dos mutuários que estão sendo executados pela instituição financeira. Muitos residenciais estão com até 20% dos apartamentos desocupados devido as ações de despejos programadas pela Justiça, e a CEF não está pagando os condomínios destes imóveis. A consequência é um alto índice de inandimplência dos condomínios que já preocupa os síndicos e deixa muitos residenciais sem condições de investir na manutenção básica.
Para encontrar uma saída para o problema, mais de 10 síndicos se reúnem hoje, na sede do Secovi, às 17 horas. Eles vão discutir uma forma de pressionar a CEF a efetuar o pagamento dos condomínios referentes aos apartamentos desocupados. Mais do que isso, os síndicos querem que a CEF se responsabilize pela dívida do mutuário que está sendo executado pela instituição financeira.
O condomínio residencial Vila Bela, é um dos que passam por dificuldade financeira. Há cerca de nove meses, de acordo com a síndica Cleusa Luzia Bono, a CEF iniciou uma série de execuções dos mutuários inadimplentes. Dos 90 apartamentos existentes, 20 estão desocupados. A CEF deveria se responsabilizar pelo pagamento do condomínio destes apartamentos, mas a gerência do banco informa que isso não é possível até a sentença final do processo, quando o imóvel é devolvido ao banco, diz Cleusa. Quem acaba sofrendo as consequências da burocracia, critica a síndica, são os moradores que estão com as prestações em dia e que continuam no prédio. A empresa que faz a cobrança dos condôminos já avisou que não vai renovar o contrato com a gente porque está tendo prejuízo, diz.
Outro residencial que passa por dificuldades é o Bento Munhos da Rocha Neto, onde, dos 96 apartamentos, 14 estão desocupados. O residencial conseguiu um acordo com a CEF, através do qual, o banco se responsabiliza pelo pagamento de 70% do valor do condomínio. De acordo com o síndico Valdecir Edson Soares, o acordo representa um avanço nas negociações, mas está longe de ser o ideal. Ele reclama principalmente da dívida acumulada pelos moradores que deixam de pagar o condomínio logo que a CEF entra com a execução do imóvel. Muitas vezes o morador fica sem pagar até três ou quatro meses, até sair a ordem de despejo, e não podemos nos responsabilizar por esta dívida, afirma.
Segundo Soares, há mais de nove meses, quando a CEF iniciou as execuções, o residencial deixou de investir na manutenção do prédio. Estamos pagando basicamente a água, luz e fazendo algumas coisas mais urgentes, explica. Apesar disso, Soares afirma que a situação é preocupante porque as ordens de despejos ocorrem todos os meses e a estimativa é de que 30 apartamentos do residencial sejam desocupados nos próximos meses. Aí a situação será insustentável e a CEF estará tornando os condomínios inabitáveis, alerta.
De acordo com o superintendente regional da CEF, Oswaldo Vieira Ribeiro, os acordos com os residenciais financiados pela instituição são realizados a medida que os responsáveis discutem o problema no banco. Não temos interesse em inviabilizar os condomínios, até porque a Caixa tem imóveis nestes residenciasi, diz. Ele afirma que a CEF está pagando em dia os condomínios dos apartamentos que pertencem à instituição e que está propondo acordos com os residenciais, onde o banco ainda não recebeu a chave do imóvel. Ribeiro não soube informar quantos imóveis estão vazios nos diversos condomínios de Maringá que pertencem à CEF ou que estão pendentes na Justiça.


