Sindicombustíveis quer baixar preço da gasolina
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terça-feira, 24 de janeiro de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR) está reivindicando ao governo federal e estadual ajuda para baixar o preço do litro da gasolina em Foz do Iguaçu e região para poder concorrer com o preço do combustível argentino. Por causa de uma diferença de até R$ 1,077 no valor do litro da gasolina, os motoristas brasileiros que estão na região de fronteira preferem ir ao país vizinho abastecer. De acordo com o Sindicato, com essa migração, os postos de combustíveis de Foz estão deixando de vender cerca de 2 milhões de litros por mês e os governos, de julho a dezembro do ano passado, deixaram de arrecadar cerca de R$ 7,9 milhões em impostos.
A estratégia proposta pelo Sindicombustíveis para poder concorrer com os preços praticados pelos postos da Argentina é diminuir a carga tributária da gasolina em Foz do Iguaçu e Santa Terezinha do Itaipu, cidades que possuem fácil acesso ao país vizinho. Segundo o diretor do Sindicato que representa a região oeste do Estado, Walter Venson, se o governo federal abrisse mão da Contribuição Sobre Intervenção do Domínio Econômico (CID), já solucionaria boa parte do problema. ''A CIDE já foi criada com o objetivo de subsidiar os preços quando necessário'', afirmou. Para completar, explicou o diretor, o governo estadual poderia abrir mão de parte do ICMS que arrecada com a gasolina.
O subsídio não faria com que o preço da gasolina brasileira, que hoje custa por volta de R$ 2,51 o litro, se equiparasse com o valor praticado na Argentina, mas diminuiria a diferença para cerca de R$ 0,50. ''Com essa diferença já diminuiria o interesse dos motoristas em cruzar a fronteira'', aposta Venson. Segundo o diretor, por causa da migração para a Argentina, os 57 postos de combustíveis das duas cidades brasileiras estão tendo prejuízos ao ponto de não conseguirem sequer fechar a folha de pagamento dos funcionários. As reivindicações do Sindicato serão levadas aos governos federal e estadual pelos deputados federais Cláudio Rorato (PMDB-PR) e Dilto Vitorassi (PT-PR) e pelo deputado estadual Reni Pereira (PSB).
Segundo o Sindicombustíveis, além do prejuízo econômico dos postos e dos governos, os motoristas também podem ser prejudicados porque a gasolina argentina não é adequada aos veículos brasileiros. O Sindicato alega que o combustível vendido na Argentina não tem adição de 25% de álcool, como no Brasil, o que diminui o rendimento do motor. Além disso, informou o Sindicato, a gasolina argentina possui um aditivo (MTBE) que contém chumbo e que é proibido no Brasil. Esse produto causaria danos a peças como o tanque, filtro, bomba de combustível, conectores, injetores e linhas de combustível.
O movimento para baixar o preço da gasolina na região de fronteira limita-se ao Paraná. Porém, Venson afirmou que o Sindicato está procurando as entidades gaúchas para unir forças contra o problema. Estados da região norte do Brasil também sofrem com questão semelhante por causa da Venezuela, que tem um preço por litro de gasolina muito abaixo do que o praticado no País.


