Imagem ilustrativa da imagem Sindicombustíveis-PR responde citações do governo federal sobre baixa no diesel
| Foto: Anderson Coelho/Folha de Londrina



O Sindicombutíveis-PR (sindicato dos postos de combustíveis do Paraná) rebateu nesta sexta-feira (1º) declarações do governo federal, que anunciou na quinta (30) uma rede de fiscalização para coibir preços abusivos nas bombas e multa para quem não repassar a redução para o consumidor final. Para o sindicato, as declarações do Planalto "buscam direcionar exclusivamente aos postos a responsabilidade pela redução de preços".

Na nota, o Sindicombustíveis ressalta que os varejistas não compram os combustíveis diretamente das refinarias, mas recebem os produtos das distribuidoras. "Deste modo, para poder praticar desconto nas bombas, os postos dependem que as distribuidoras repassem integralmente a redução anunciada", afirma a nota. Para a entidade, quando as distribuidoras repassarem a redução anunciada de R$ 0,46 aos postos, a "concorrência acirrada" no varejo vai levar à queda dos valores.

A nota ainda questiona o modo como serão avaliados os casos de empresas que haviam adquirido estoques com preços antigos e como será feita a equalização dos preços cobrados no biodiesel, já que é obrigatória a inclusão de 10% do combustível ao diesel comercializado no varejo. O Sindicombustíveis também defende, ao final, a revisão da política de preços para a gasolina.

Veja a nota na íntegra:

"O setor vê com preocupação as confusas declarações do governo federal, que mais uma vez buscam direcionar exclusivamente aos postos a responsabilidade pela redução de preços.

Em primeiro lugar, os postos não compram os combustíveis diretamente das refinarias. Compram das distribuidoras. Deste modo, para poder praticar desconto nas bombas, os postos dependem que as distribuidoras repassem integralmente a redução anunciada.

A partir do momento que as distribuidoras de combustíveis repassem a redução aos postos, acreditamos que naturalmente isto terá reflexo proporcional nas bombas. O setor é muito competitivo e existe concorrência acirrada entre os mais de 45 mil postos no Brasil - no Paraná, são mais de 2600. Neste cenário de livre mercado, preço mais baixo sempre foi um grande diferencial para vender mais e fidelizar a clientela.

Outro ponto não esclarecido pelo governo federal: como será avaliado o caso das empresas que possuem estoques adquiridos com preços antigos.
Uma terceira questão omitida pelo governo federal é a do biodiesel. Por força legal, o diesel vendido no Brasil deve ter 10% de biodiesel. Até o momento o governo federal não explicou como pretende equilibrar o custo do biodiesel na redução do diesel. Assim como o etanol, o biodiesel é produzido por empresas privadas.

O setor de postos de gasolina é um dos mais competitivos do país. Com características únicas, como a obrigação de estampar os preços com destaque na frente do estabelecimento, tem demonstrado claramente que a regulação natural do livre mercado é o melhor caminho.

Em resumo, entendemos que o governo federal apresenta novos sinais de que ainda não conseguiu entender o mercado de combustíveis e suas características. Ao tentar resolver uma situação gerada pela sua própria falta de atenção com os caminhoneiros e os transportes, e agravada pela política de preços da Petrobras, mais uma vez incorre em imprudências, vereditos apressados e medidas confusas.

Concluímos defendendo que a Petrobras deveria rever também sua política de preços para a gasolina. Num país no qual existe um monopólio como o da estatal petrolífera, não se justificam os aumentos de preços diários. Assim como foi feito no diesel, a gasolina deveria ter maior espaçamento entre os reajustes. O Brasil todo certamente ganharia muito."

mockup