Curitiba - O Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis) está alertando o consumidor de Curitiba a não se iludir com a queda de preços da gasolina e do álcool verificada nos últimos dias. O consumidor pode encontrar gasolina até por R$ 1,85 o litro e o álcool por R$ 0,93 nos postos da cidade. Recentemente, os postos foram alvo de ação do Ministério Público porque estavam vendendo a gasolina por R$ 2,39 o litro.
O presidente do sindicato, Roberto Fregonese, atribuiu essa prática à ''uma guerra de preços das distribuidoras, que visam um reposicionamento de mercado''. Fregonese avisou que o consumidor vai pagar a conta dessa guerra com elevação de preços nos próximos dias. ''Temos notas que comprovam que a gasolina C (já misturada com 25% de álcool anidro) custa na refinaria, no mínimo R$ 1,86, portanto é impossível que um revendedor possa praticar os preços atuais sem estar sendo subsidiado pelas distribuidoras'', acusou Fregonese.
De acordo com o Sindicombustíveis, a ''guerra'' de preços está sendo praticada entre as cinco grandes distribuidoras existentes no País, que controlam 75% do mercado. Elas estariam vendendo a gasolina e álcool hidratado por até R$ 0,17 por litro abaixo do custo. ''Com isso elas demonstram claramente quem domina o mercado'', disse Fregonese.
Segundo Fregonese, as distribuidoras estão vendendo a gasolina aos postos por até R$ 1,74 o litro. O álcool que custa cerca de R$ 0,95 o litro na usina, está sendo oferecido por R$ 0,70 o litro. ''Isso é fraude'', comentou. Fregonese disse que já alertou a Receita Federal, que as pequenas e médias distribuidoras que não conseguem acompanhar a concorrência ou abandonam o mercado ou recorrem à práticas ilegais para continuar no mercado.
Uma média distribuidora que abastece o mercado curitibano, cujo gerente não revelou o nome, disse que a retração no fornecimento de combustíveis aos postos de Curitiba foi de 90%. A distribuidora está concentrando a distribuição nos postos do litoral, Interior e estados próximos para compensar a perda de mercado em Curitiba. Outras acabam recorrendo à adulteração e a fraude, concordou o gerente.
O Sindicato das Distribuidoras (Sindicom) disse que não interfere na política de preços das distribuidoras, salientando que o mercado é livre. A Folha entrou em contato com a BR distribuidora, que negou a prática de dumping sugerida na denúncia. Segundo a assessoria da empresa, a BR é muito patrulhada pela sociedade e por isso respeita a concorrência e o consumidor.

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