O advogado Manoel Geraldo Toledo Costa é síndico de um edifício no centro de Londrina há 14 anos. Angustiado com tanta inadimplência, ele colocou um cartaz nos elevadores informando o valor das taxas em atraso, atualizadas até o mês de novembro passado: pouco mais de R$ 39.700,00. Costa diz que a maior parte do débito é de apenas nove condôminos que não pagam suas taxas há alguns anos. O líder do ‘‘ranking’’ está em débito desde maio de 2000, ou seja, há 102 meses.
  O síndico admite que realmente houve aumento da inadimplência no último semestre, mas explica que a situação se agravou mesmo quando surgiu a lei reduzindo para 2% a multa das mensalidades em atraso. Ele diz que é totalmente contra esta lei, contra o sigilo que protege os devedores e que não tolera atraso. ‘‘Isso aqui não é brincadeira; atrasou, a gente tem que mandar para o Fórum’’.
  Tentando amenizar o problema, o síndico contratou uma empresa especializada em cobrança para receber as mensalidades em atraso. ‘‘O elevador e a limpeza, por exemplo, são serviços comuns, e não é justo que alguns tirem proveito nas costas dos outros. A inadimplência é uma injustiça para quem paga o condomínio em dia’’.
  O edifício em questão tem 72 salas e a taxa de condomínio varia entre R$ 190,00 e R$ 280,00, dependendo do tamanho e localização do imóvel. Levando em conta o débito total, é como se todos os donos de imóveis devessem duas ou três mensalidades.
Residenciais
  O advogado Nelson de Souza é dono de uma empresa especializada em administração de condomínios em Londrina há 16 anos, e trabalha com quase 200 edifícios residenciais e seis comerciais. Segundo ele, a inadimplência está aumentando também nos edifícios residenciais, passando de 15% há três meses para 28% agora. Souza diz que o aumento é atribuido à crise financeira internacional.

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