Sindicatos veem estratégia para driblar carga tributária
Representantes de segmentos que apresentaram crescimento significativo no coeficiente de penetração de importações, divulgado pela CNI, viram com naturalidade o incremento percentual no último quadrimestre. Segundo eles - com a perda de competitividade da indústria transformação - trazer produtos de fora para continuar produzindo a valores mais baixos é uma estratégia para fugir dos encargos nacionais.
A presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana (Sindivest), Luciana Bechara, explica que há dois movimentos distintos no segmento: um na indústria têxtil e outro na de confecção. Na indústria têxtil, a procura por produtos importados está relacionada a necessidade de corantes, fios de poliéster, poliamida, elastano e outros itens que não são produzidos no País. "Com o aquecimento do setor, é natural que a importação aumente, já que muitos produtos não são desenvolvidos aqui", explica ela.
No caso da indústria de confecção, as importações são mais preocupantes. Segundo a presidente do Sindivest, muitas empresas estão deixando de produzir suas próprias peças para trazer prontas da China, deixando de lado o papel de indústria para se tornar meras importadoras."Para produzir um jeans, por exemplo, 40% é destinado a pagamentos de impostos, enquanto os 60% restantes, de lucro, tem que ser distribuídos para seis indústrias distintas da cadeia. Já, para importar um jeans chinês, há apenas 6% de tributação", complementa.
Luciana diz que não é possível estimar quantas indústrias de confecção realizam esse tipo de manobra no Paraná, mas alega que é algo cada vez mais rotineiro. "A indústria de confecção necessita de mão de obra intensiva, o que gera encargos pesadíssimos, além da cadeia ser muito longa."
No caso das indústrias de metal, o raciocínio não é diferente. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal), Alcino de Andrade Tigrinho, comenta que as indústrias do segmento importam componentes chineses e do Leste Europeu. "Com a carga tributária elevada dentro do País, importar se torna quase uma questão de sobrevivência. O pessoal que trabalha com a produção de corrediças e trilhos para o setor mobiliário está produzindo em menor escala para trazer as peças prontas do exterior", exemplifica ele.
Tigrinho ressalta que a movimentação não é apenas na compra de componentes importados, mas há diversas outras estratégias para manter as indústrias competitivas, como trocar as plantas de um Estado para outro, devido a questões sindicais, e até a instalação de unidades em outros países, como o Paraguai. "O problema da importação demasiada é que, a longo prazo, ela se torna um tiro no pé. Se a situação muda, com a exportação ficando mais forte que a importação, os industriais nacionais ficam inviabilizados de trabalhar porque reduziram suas plantas", complementa. (V.L.)





