As duas centrais sindicais da Argentina advertiram ontem que tomarão medidas duras de protesto, se a política econômica implementada pelo governo continuar. O anúncio foi feito pelo presidente da CGT oficial, Rodolfo Daer, e pelo dirigente da central dissidente, Juan Palacios. ‘‘Estamos repelindo as medidas anunciadas por Cavallo, porque com esses impostos a depressão econômica só vai piorar’’, disse Daer, durante entrevista à imprensa, concedida conjuntamente pelas duas centrais. No dia seguinte ao aumento dos aumentos, as centrais anunciaram o fim da trégua com o governo argentino.
Rombo fiscalA situação da economia argentina realmente é crítica. O Tesouro argentino registrou em apenas um mês 50% da meta estabelecida para o déficit fiscal do segundo trimestre do ano. O resultado divulgado ontem apontou um déficit de US$ 907,1 milhões em abril, cifra que obrigará o governo argentino a não passar da barreira de US$ 909,9 milhões de desequilíbrio fiscal nos próximos dois meses. Caso contrário, não conseguirá cumprir com as metas acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o segundo trimestre do ano. De acordo com a reprogramação das metas com o FMI, a Argentina se compromete a ter um déficit inferior a US$ 1,817 bilhões neste período.
O déficit de abril superou em US$ 277,2 milhões ao registrado em igual mês de 2000. O ministério de Economia justificou o aumento à queda de US$ 286 milhões nos recursos e a queda de US$ 48,9 milhões na arrecadação, em comparação com abril do ano passado. Mas o chefe de gabinete do ministério, Guillermo Mondino, qualificou o resultado de ‘‘alentador porque permitirá o cumprimento das metas do segundo trimestre’’.

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