Sindicatos querem substituir o Sine
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domingo, 12 de abril de 1998
Agência Folha 
Arquivo FolhaPor uma vaga!Na análise dos sindicatos, o Sine teve fraco desempenho na recolocação de desempregados no PaísO Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estuda a possibilidade de criar um serviço de qualificação profissional e recolocação de desempregados no mercado de trabalho, usando recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Já existe dentro da entidade, que é filiada à CUT (Central Única dos Trabalhadores), um grupo analisando qual seria a demanda na região do ABC paulista para esse tipo de serviço.
Esse mesmo grupo, se concluir pela viabilidade do serviço, será responsável pela formulação de um projeto para ser apresentado ao Codefat (Conselho Deliberativo do FAT), órgão tripartite que decide a aplicação dos recursos do fundo. A expectativa é que isso ocorra até o final de junho. O precedente para que sindicatos de trabalhadores criem esse tipo de serviço, com recursos do FAT, foi aberto pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, rival da CUT.
Em março passado, a entidade obteve aprovação do Codefat para seu projeto de criação de uma agência de empregos, que irá administrar recursos do fundo para o pagamento do seguro-desemprego e para programas de qualificação e recolocação. O argumento usado pela Força Sindical para a criação da agência de empregos foi o de dar mais agilidade ao atendimento do desempregado, principalmente no processo de recolocação no mercado de trabalho. O sindicato, por ter mais contato com as empresas e com o desempregado, poderia encontrar maior facilidade para a recolocação.
O Sine (Sistema Nacional de Emprego), sob responsabilidade dos governos estaduais, teve fraco desempenho na recolocação de desempregados. Segundo estimativas oficiais, menos de 2% dos inscritos em São Paulo conseguem emprego. O projeto da Força Sindical foi aprovado no Codefat por unanimidade, ou seja, também recebeu voto favorável do representante da CUT no conselho. A proposta dos metalúrgicos de São Paulo, por exemplo, prevê o atendimento de 30 mil trabalhadores por mês.
Para isso, o sindicato receberá cerca de R$ 7 milhões do FAT. A entidade, porém, se comprometeu a dar uma contrapartida de R$ 1,4 milhão e a encontrar emprego para 4.200 pessoas por mês. Estamos estudando a demanda porque queremos fazer algo maior do que está sendo realizado em São Paulo , disse Francisco Dias Barbosa, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Segundo o dirigente, a previsão de demanda de atendimento é de 90 mil trabalhadores por mês. Diante do tamanho da demanda, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC estuda até a participação das prefeituras da região no sistema. A entidade cogita envolver também outras categorias fortes no ABC paulista, como os químicos. A discussão sobre a criação de um sistema de emprego no âmbito dos sindicatos ocorre também na CUT, afirma Monica Valente, diretora-executiva da central.
A idéia da Força Sindical é interessante e estamos analisando qual a melhor proposta para ter um sistema público de emprego sem ser necessariamente estatal , disse a dirigente da CUT. Segundo ela, a experiência de um sistema público de emprego, sem a execução por parte do Estado, já existe com êxito na Espanha. Lá há um fundo nacional com recursos públicos e privados gerido de forma tripartite: a execução é de entidades, sindicatos, bancos públicos e privados , diz.
A agência de empregos do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo deverá estar funcionando já na primeira semana de maio. A previsão é do presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que afirma já ter recebido a primeira parcela R 2,3 milhões de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para o projeto.
O fundo irá liberar, no total, R$ 7 milhões para o sindicato. Já estamos começando a montar o edital para algumas obras e contratando uma empresa para fazer a seleção de pessoal , afirmou Paulinho. A agência de empregos irá exigir a contratação de cerca de 250 funcionários, de acordo com o sindicalista.


