O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, fez um apelo ao presidente Fernando Henrique Cardoso ontem para que o governo federal inclua, oficialmente, trabalhadores brasileiros nos grupos que discutem a criação da Zona de Livre Comércio das Américas (Alca). A expectativa é que os sindicalistas possam acompanhar de perto as próximas reuniões para debater o assunto. ‘‘Nesse encontros como o de Quebec, em vez de ficarmos na porta tacando pedra, nós queremos estar lá dentro discutindo’’, afirmou o sindicalista ao deixar o Palácio do Planalto. ‘‘Se eles levam empresários, deveriam levar trabalhadores também’’, acrescentou.
Segundo o relato do sindicalista, Fernando Henrique recebeu positivamente a reivindicação e prometeu estudar o assunto. ‘‘Ele me disse que vê isso com muito bons olhos’’, contou Paulo Pereira da Silva.
O presidente da Força Sindical contou ter pedido ao presidente que um representante dos trabalhadores brasileiros tenha assento na próxima reunião do Grupo dos Oito.
O presidente da Força Sindical adiantou que a entidade fará um trabalho para conscientizar e mobilizar os trabalhadores em torno de assuntos como Alca e globalização da economia. ‘‘Sobre Alca, daqui para 2005, os trabalhadores têm de entender disso’’, comentou.
Na opinião do sindicalista, a criação da Alca terá impacto decisivo no mercado de trabalho brasileiro e poderá gerar desemprego. ‘‘Nas duas a três semanas de boicote da nossa carne no Canadá, tivemos duas mil demissões nos frigoríficos do Brasil’’, comentou. ‘‘Imagina se nós tivermos uma zona de livre comércio com a América quantos empregos vão embora’’. Segundo ele, o Brasil tem dois ou três setores preparados para competir em pé de igualdade com Estados Unidos e Canadá.

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