Sindicatos prevêem mais demissões
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terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaDesempregoO setor com a pior situação é o da indústria têxtil: sindicato homologa 800 demissões por mês
SÃO PAULO - Os resultados das últimas pesquisas de emprego da Fundação Seade e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram recuperação do nível de emprego, estão longe da realidade das fábricas, dizem alguns sindicalistas. Não há sinais de reversão da tendência e as empresas devem começar o ano demitindo, prevêem dirigentes sindicais. A situação só deve melhorar ao longo do ano que, apesar das dispensas no primeiro trimestre, pode ser melhor do que 1996, segundo os sindicalistas.
A pior situação é dos empregados da indústria têxtil. Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil, José Carlos do Nascimento, a entidade vem registrando 40 homologações por dia. Nossa média mensal chega a 800, afirma. No ano passado, o setor perdeu 9 mil postos de trabalho, boa parte deles em empresas de grande porte, como Vicunha e Linhas Corrente. Duas empresas pequenas, com cerca de 80 funcionários, já anunciaram que vão fechar suas portas nos próximos meses, afirma.
Nem mesmo a indústria alimentícia, que começou a sentir os efeitos da modernização das fábricas e do Plano Real há menos tempo que outros setores, chegou a perder no ano passado 50 mil postos de trabalho. As demissões, segundo Ouvído Garcia Fernandes, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores na Indústria Alimentícia do Estado de São Paulo, prosseguem, especialmente no setor açucareiro.
Nas metalúrgicas também há forte temor de novas demissões nesse início do ano. Muitas fábricas, lembra Paulo Pereira da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, deram férias coletivas e podem demitir este mês. Esse é o caso da Ford, onde há muito boato de demissões, diz Pereira da Silva. O sindicalista pretende frear as demissões este ano com a redução da jornada de trabalho em pelo menos 300 grandes empresas.
Técnicos da Fundação Seade e Dieese explicam que as contratações em novembro se concentraram no comércio e serviços. As lojas empregaram mais 34 mil pessoas e o setor de serviços mais 5 mil. Mas nada indica que esses setores vão continuar contratando. Boa parte dos empregos nas lojas é temporário. Na pesquisa do IBGE, que mostra uma taxa de desemprego aberto de 4,56%, a menor do ano, também não há sinais de reversão da tendência. Segundo os técnicos do IBGE, o desemprego só diminuiu porque o número de pessoas que procuram emprego caiu 12%. Na indústria, a taxa ainda é negativa.


