Sindicatos não acompanharam modernização
São Paulo - Os sindicatos brasileiros se acomodaram e não acompanham as mudanças no mundo do trabalho. ''Não houve modernização do movimento sindical'', diz o pesquisador do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho (Cesit), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann. Para ele, é uma visão simplista responsabilizar a estrutura sindical pela situação atual.
Pochmann lembra que o País passou por mudança produtiva que alterou a estrutura do emprego. Houve proliferação de pequenas empresas, principalmente na área de serviços, e seus funcionários não se encaixam nos sindicatos atuais.
Exemplo disso é o envolvimento cada vez maior de Organizações Não Governamentais (ONGs) nas questões ligadas ao trabalho. Muitas oferecem cursos profissionalizantes e assistência, antes atividades de entidades sindicais. O pesquisador lembra que quase 40% dos trabalhadores assalariados - cerca de 20 milhões de pessoas - não têm carteira de trabalho, ou seja, estão fora da estrutura formal de sindicalização.
Na visão do ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto a situação sindical brasileira é caótica. ''Se somarmos todos os sindicatos de países industrializados do mundo, não dá a quantidade que temos no Brasil.'' Em sua gestão, entre 85 e 88, ele reconheceu 1.269 sindicatos. Na época, a aprovação passava pelo Serviço Nacional de Informações (SNI).
Hoje, exemplos da facilidade com que se abrem sindicatos não faltam. Em julho de 2005, o ''Diário Oficial'' publicou ata convocando vendedores de bebidas para criar um sindicato. A assembléia foi marcada num domingo, às 8h30, no Parque do Ibirapuera.
O Sindicato dos Comerciários de São Paulo conseguiu, até agora, impedir pelo menos dez tentativas de subdivisão da categoria, com 430 mil trabalhadores.
A mais recente foi a da criação do Sindicato dos Empregados em Shopping Centers. O edital chamava a categoria para assembléia em Barretos (SP), às 18 horas de 28 de agosto, data da tradicional Festa do Peão de Boiadeiro, que costuma reunir mais de 100 mil pessoas. ''Juntamos um grupo e fomos para lá, mas não teve nenhuma assembléia'', conta o presidente do sindicato, Ricardo Patah. Já o Sindicato dos Comerciário de Curitiba está na Justiça há 12 anos contra o Sindicato dos Trabalhadores em Shopping Centers, que levou 16 mil trabalhadores da sua base.
Para quem está no movimento sindical há vários anos, os conflitos se tornaram comuns. O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Carlos Alberto Grana, reclama da facilidade com que são criados sindicatos, muitos deles apoiados por empresários que preferem dirigentes ''dóceis''.(C.S.)





