Os sindicatos se dividem quando o assunto é contribuição sindical. Não descontar esse valor dos trabalhadores pode enfraquecer as entidades, dizem alguns. Outros defendem seu fim, como prevê o projeto de reforma sindical. O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários (Seeb) de Londrina, por exemplo, concorda com a extinção da cobrança, pois acredita que ela beneficia instituições que não são representativas.
''Hoje, basta alguém criar um sindicato para que todos os trabalhadores daquela categoria sejam obrigados a recolher o imposto'', afirma o secretário de imprensa do Seeb, Joseph E. Sonigo, 35 anos. Para ele, a facilidade faz com que algumas entidades não se preocupem em dar qualquer retorno aos associados. ''Elas só sobrevivem graças a contribuição'', completou. O Seeb defende que as categorias sejam seduzidas por serviços bem prestados. ''Mostrando trabalho, defendendo melhorias para os trabalhadores, há filiação.''
Desde 1996, o sindicato devolve o valor recolhido pelo imposto aos filiados. ''Para nós, o fim da cobrança compulsória vai enfraquecer instituições sem representatividade'', constata Sonigo.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentos
(STIAM) de Maringá, Rivail Silveira, 59, concorda com a contribuição sindical na forma como é hoje. ''Na atual situação brasileira, defendo sua manutenção, pois é a principal maneira de financiar pequenos sindicatos, além de permitir que se invista na qualificação e requalificação dos trabalhadores'', completa.
Para Silveira, a extinção desse imposto pode enfraquecer a atividade, prejudicando toda categoria. ''Tanto quem é sindicalizado quanto quem não é recebe os benefícios das negociações trabalhistas aumento de salário, por exemplo.'' (R.N.)

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