O Sindicato dos Bancários de Curitiba vai ‘‘monitorar’’ uma reunião convocada pela direção do Banestado com os superintendentes das agências, marcada para hoje às 8 horas. O sindicato teme que a direção do banco tente dificultar o acesso dos correntistas às operações bancárias, com objetivo de colocar a população contra a greve dos funcionários do Banestado contra a privatização.
Na última sexta-feira, o sistema de auto-atendimento saiu do ar em Londrina e na Capital. Chegou a faltar dinheiro no caixa eletrônico de pelo menos uma agência, a da Comendador Araújo, no centro da cidade.
Para se prevenir, o Sindicato irá afixar, hoje, cartazes na frente das unidades do banco avisando aos clientes que serviços básicos como saques, transferências e depósitos podem ser realizados nos terminais de caixas eletrônicos. ‘‘Eles não estão reabastecendo os caixas para colocar a população contra a greve, mas dentro das agências sempre estão o tesoureiro e gerente da agência, que têm obrigação de fazer essa reposição’’, acusou ontem o presidente do Sindicato José Daniel Farias, orientando os clientes que encontrarem os caixas eletrônicos vazios a exigir sua reposição.
Os cartazes também pretendem dar esclarecimentos aos clientes sobre a rede conveniada ao Banestado, o que permite que os correntistas com cartão façam suas operações bancárias no Unibanco, HSBC, Caixa Econômica Federal, Banespa, Banrisul, Besc. Já as contas com pagamento exclusivo no Banestado só poderão ser pagas após a greve. ‘‘Depende do governo anistiar ou não as pessoas dos juros pelo atraso’’, disse Farias.
A uma semana da data marcada (17 de outubro) para o leilão do Banestado, os bancários não têm intenção de suspender a greve até que o banco se disponha a negociar. Essa possibilidade, entretanto, está longe de se realizar, de acordo com Farias. Em conversa informal com o sindicalista, na sexta-feira, a assesoria de Recursos Humanos do banco teria dito que não irá negociar enquanto perdurar a greve. Nesse caso, os bancários já estão pensando em recorrer a parlamentares para solicitar que intermedeiem uma conversas com o governo do Estado.
A expectativa do Sindicato é de que a greve aumente nos próximos dias. Hoje às 8 horas, haverá duas reuniões, uma no Centro Administrativo (Cead) de Santa Cândida e outra no calçadão da rua Monsenhor Celso, no centro da cidade, para organizar o movimento. Na sexta, segundo Farias, 31 agências na Capital e 16 no interior do Estado pararam. A assessoria do banco contestou e disse que apenas 20 agências da capital e 16 no interior ficaram com o atendimento comprometido. A greve também deve se estender a outros estados, já que a Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT), entidade que representa todos os sindicatos de bancários filiados à CUT no Brasil, contatou todas as entidades com Banestado em suas bases para que também paralisem suas atividades. A Folha tentou contato com o comando do banco ontem, para a direção responder às críticas do sindicado e informar se haverá ou não reposição dinheiro nos caixas eletrônicos, porém não foi possível. Não havia expediente ontem à tarde no conglomerado.
Ações A Justiça Estadual deve receber, hoje, duas ações populares que pedem a supensão do leilão de privatização do Banestado. Uma é do Sindicato dos Bancários e outra dos senadores paranenses Osmar Dias (PSDB), Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB). Também subscreve a ação o ex-presidente do banco Luiz Antônio Fayet, que não concorda com a venda.