Sindicato suspeita que postos praticam dumping
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A última redução no preço dos combustíveis, em Londrina, levou o Sindicombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência) do Paraná a reivindicar uma atitude da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O presidente do Sindicato, Roberto Fregonese, espera uma séria investigação que, segundo ele, ''preserve o bom comerciante e os consumidores''.
Há cerca de 10 dias, a gasolina em Londrina caiu para R$ 1,77 e o álcool ficou em R$ 0,89 na maioria dos postos. De acordo com Fregonese, esse valor está muito próximo ou até abaixo do preço de custo. ''É uma ação orquestrada com o objetivo de quebrar a concorrência ou apenas ganhar a simpatia da clientela. O fato é que com R$ 0,03 de lucro um revendedor não consegue se manter'', garante. No caso da ANP confirmar as suspeitas do Sindicombustíveis, o Ministério Público também será acionado. ''A partir daí, tenho certeza que os preços voltarão ao normal em pouco tempo'', comenta.
Essa queda no preço dos combustíveis deixou o consumidor dividido entre a satisfação e a descrença na manutenção da tabela. O eletricitário aposentado Pedrinho Pereti e o vendedor autônomo José Augusto Martins Rodrigues acreditam que essa 'alegria' vai durar pouco. ''Para mim, esse é o preço real e os donos de postos estão reclamando porque não se conformam em reduzir a margem de lucro'', diz Rodrigues. ''Se estivessem tendo prejuízo não continuariam trabalhando'', completa Pereti.
Segundo o entregador Osmar Magno, a cada dois dias era preciso R$ 20,00 para abastecer o tanque e, hoje, ele roda um dia a mais com o mesmo valor. O representante comercial Sidney Manoel Moreno afirma que, atualmente, o combustível de Londrina é o mais barato da região.
Cidades como Maringá, Arapongas e Apucarana estão cobrando R$ 0,20 a mais na gasolina e R$ 0,10 no álcool. Ao contrário dos outros entrevistados, Moreno concorda com os donos dos postos ao dizer que essa tabela é impraticável. Para ele, o valor real da gasolina ficaria entre R$ 1,95 e R$ 2,00. ''Algo errado está acontecendo. Tanto pode ser dumping como adulteração ou até as duas coisas'', opina.
Proprietários e gerentes dos postos de combustíveis afirmam que é impossível prever até quando esses preços continuarão em vigor. Mas, todos concordam que o fluxo de clientes aumentou consideravelmente. De acordo com Aguinaldo José Porfírio, sub-gerente do Posto Quebec, o crescimento chega a 25%, embora não compense a perda na tabela. ''Estamos sofrendo prejuízo com a margem de apenas R$ 0,03 no álcool e gasolina. Para não demitir ninguém, estamos economizando na água, energia elétrica e material de limpeza'', diz Porfírio ao frisar a esperança na possibilidade de as distribuidoras reduzirem também sua margem de lucro.


