Sindicato rural aprova pacote agropecuário, com restrições
Da Redação
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, disse ontem que o pacote de medidas anunciado pelo governo tem vários pontos positivos, como a CPR financeira, que agora torna-se mais flexível podendo ser comercializada por investidores. Ela facilita a antecipação da captação de recursos. Entretanto, o lançamento de opções para venda de milho safrinha a R$ 9,00, que está sendo estudado pelo governo, contraria nitidamente os interesses da agricultura. A opção do milho safrinha deveria ter maior valor. O fato do lançamento das opções é positivo. Negativo é o valor das opções, segundo Ponti.
Depois de explicar como se operacionaliza cada um desses instrumentos de comercialização, Ponti disse que a cédula de produto rural (CPR) é um mecanismo completo que atende as expectativas da moderna comercialização. Como técnico e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Planejamento Agrícola, Ponti participou, há mais de dez anos atrás, de estudos que criaram a CPR.
Em entrevista a este jornal, Ponti analisou ponto por ponto as medidas do governo e disse acreditar que elas ajudarão a agricultura. Contudo, ressalvou que são medidas criadas para beneficiar determinados setores e que se revelam benéficas também a agricultura. A internacionalização do mercado de futuros, por exemplo, é uma aspiração da Bolsa de Mercadorias (BM&F). E a linha de crédito através do BNDES para compra de tratores, vai alavancar as vendas das indústrias.
Medidas de interesse direto e que beneficiam exclusivamente os produtores, como o seguro agrícola e a classificação de produtos vegetais, não serão implantadas de imediato, ao contrário das demais, embora façam parte do mesmo elenco anunciado ontem.
Ponti voltou a defender o desenvolvimento da economia a taxas mais elevadas como o aumento de salários e do poder de compra dos consumidores, ao contrário da manutenção dos juros altos que reprime a demanda, conforme recente decisão do governo. A melhoria no poder de compra é saudável para o mercado e para a economia: o consumidor vai poder pagar o valor real pelo frango, exemplificou.
Este conceito básico tem que ser assimilado pelo governo e segmentos que estão fora do governo. Só os desinformados não compreendem a lógica.
Os desinformados de dentro e fora do governo, não entendem quando falamos em âncora salarial e alegam que reajustes de salários são uma opção de cada empresa, individualmente. Mas ninguém reajusta salário sem repassar para os preços dos produtos. Sem consumo, não se consegue repassar nada sem aumentar preços e, aumentando custo de produção - numa economia apertada como a nossa -a empresa quebra. Por isso, ninguém aumenta salários sem aumento de preços do produto ou aumento da produtividade, resume Ponti.





