Sindicato reforça orientações sobre o La Niña
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Aline Vilalva <bR>Reportagem local 
As mudanças climáticas provocadas pelo fenômeno La NiÀa, que intefere na ocorrência de chuvas devido ao resfriamento das águas do Oceano Pacífico, continuam gerando preocupação entre agricultores, pois podem influenciar negativamente nos cultivos de verão, especialmente soja e milho. Visando oferecer orientações aos produtores, o Sindicato Rural Patronal de Londrina reuniu técnicos, agricultores e membros do grupo de empreendedores rurais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), semana passada, para oferecer orientações sobre as medidas que podem minimizar a possibilidade de perda. O conteúdo está disponível no Sindicato.
Para o meteorologista Reinaldo Olmar Kneib, do Instituto Tecnológico Simepar, a atuação do fenômeno começou efetivamente no início de setembro e, portanto, a primavera estará sobre a influência do La NiÀa. O volume de chuvas deve ficar abaixo do esperado, visto que um dos ingredientes para provocar chuvas significativas (de aproximadamente 40 milímetros) e regulares é a umidade que vem da região amazônica e nesta época do ano fica retida no nordeste e sudeste e na própria região da Amazônia. ''Há calor, mas não há umidade, quase não se formam nuvens e as que têm não fazem chover'', observa.
Os efeitos para o Sul do País são chuvas abaixo do esperado, com pancadas irregulares, mal distribuídas e de curta duração. O Rio Grande do Sul é o estado que apresenta maior efeito do La NiÀa no regime de chuva, que ficará abaixo do percentual climatológico ao longo de todo o trimestre. Países vizinhos como Uruguai, Paraguai e Norte da Argentina também sofrem a influência.
A previsão para a estação da primavera no Paraná indica que o regime das chuvas em outubro, novembro e dezembro oscilará e, com isso, o segundo semestre será marcado pela escassez de chuva por um período grande de dias em diversos pontos do Estado. Não se descarta a ocorrência de chuvas fortes, mas a frequência deverá ser menor em comparação aos últimos anos.
O diferencial de 2010 é que setembro já está mais seco, enquanto nos demais anos de La NiÀa a seca se concentrava no em novembro. O fenômeno deste ano, segundo Kneib, está parecido com seu último registro, ocorrido no final de 2008 até o início de 2009. O La NiÀa mais intenso e longo aconteceu de 1998 a 2000 e, posteriormente, o de 2005 até 2006 de efeitos significativos, porém mais curtos. ''Cada La NiÀa varia em intensidade, duração e influência'', reitera.
Para a cultura da soja, com ciclos curto e médio, a pesquisadora da Embrapa, Divânia de Lima, ensina que algumas medidas podem auxiliar neste período em que a lavoura fica mais vulnerável, como plantar cultivares de ciclos diferentes, usar boas práticas de manejo de solo e escalonar o plantio. ''Não devemos colocar todos os ovos num único cesto'', friza.
Dionízio Gaziero, também da Embrapa alerta que mesmo não aparecendo tantas pragas resistentes em virtude da pouca chuva, é necessário tomar alguns cuidados, inclusive no transporte dos maquinários. ''É fundamental fazer a limpeza para evitar infestação.
Durante o seminário, o presidente do Sindicato, Narcísio Pissinati, apresentou os resultados da pesquisa sobre Custo de Produção realizada em julho com produtores pela Cepea-Esalq/USP e Conferência Nacional da Agricultura (CNA). O material de todas as palestras e da pesquisa estão disponíveis no Sindicato Rural Patronal de Londrina, instalado à Avenida Tiradentes, 6355, telefone 3374-0300.


