Curitiba - Os funcionários do banco HSBC fecharam ontem 11 agências no Paraná em protesto contra as 393 demissões realizadas no Brasil no final da semana passada. Em Curitiba, foram paralisadas as atividades das agências Marechal Deodoro, Comendador Araújo, João Negrão, Centro Cívico, André de Barros e Água Verde. Os bancários também cruzaram os braços em quatro agências de Londrina e uma de Toledo. O Sindicato dos Bancários de Curitiba prevê que as demissões podem chegar a mil empregados em todo o País. O banco garantiu que não ocorrerão mais dispensas de funcionários e que mais de 400 empregados serão promovidos para reforçar outras linhas de negócios do banco.
Hoje as agências devem voltar a funcionar normalmente. A assessoria de imprensa do banco informou que os funcionários não terão o dia descontado do salário porque, em algumas agências, foram impedidos de entrar no local de trabalho pelo Sindicato dos Bancários.
Segundo informações do Sindicato dos Bancários, cada agência paralisada ficou com apenas um gerente trabalhando ontem. Das unidades que fecharam as portas na Capital, apenas, a agência do Centro Cívico, na Capital, abriu os caixas eletrônicos por volta das 10 horas de ontem. O banco mantém 31 agências em Curitiba e cerca de 150 no Estado.
As demissões foram anunciadas pelo banco na última sexta-feira. No Paraná, foram 100 demitidos e só na Capital 33. O Sindicato dos Bancários de Curitiba, informou que no primeiro trimestre deste ano, 52 pessoas já tinham sido dispensadas. Com isso, o total de demitidos em Curitiba chega a 85. No Brasil, esta instituição financeira emprega 28.500 funcionários.
O banco fez os cortes como parte de um programa de reestruturação. Os demitidos tinham sido contratados para a aquisição de novos clientes com o objetivo de abrir contas bancárias. ''A maior parte das pessoas demitidas são gerentes de aquisição, responsáveis por adquirir contas. São quase mil agências no Brasil. As demissões podem chegar a mil'', disse o diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e membro da comissão de organização dos empregados do HSBC, Carlos Alberto Kanak.
Ele disse que hoje, será realizada uma avaliação nacional do sindicato para decidir pela continuidade ou não do movimento. ''Se espalhou um clima de terror dentro das agências do banco'', afirmou.
Segundo o sindicato, o banco fechou 30 Centros de Serviços em todo o País e afirmou que os 1.068 funcionários que atuavam nestes locais de trabalho seriam realocados para as agências. O banco preservou estes bancários, que recebem salários mais baixos e demitiu outros funcionários que atuavam nas agências e eram funcionários de carreira, especialmente gerentes de aquisição. Hoje, são mantidos apenas três Centros de Serviços (São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba).
''Em 2006, o HSBC teve o maior lucro de sua história de dez anos no Brasil. Um crescimento de 11% em relação a 2005. Um banco que lucra como o HSBC não tem a necessidade de enxugar o quadro de funcionários desta forma e com isso prejudicar diretamente o atendimento aos seus clientes'', disse a presidente do sindicato, Marisa Stédile.

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