Em assembléia programada para a madrugada de hoje, o Sindicato dos Metalúrgicos colocaria em votação o ingresso de uma ação civil pública para responsabilizar o governo do Estado por omissão, se as demissões anunciadas pela Renault se confirmarem. Os trabalhadores estavam dispostos ontem à noite a recorrer a uma legislação de 1950, que trata da responsabilidade dos governadores em caso de desemprego em massa.
Na verdade, os sindicalistas querem que o governo do Estado sente à mesa de negociações junto com o sindicato e a Renault, para encontrar alternativas que evitem as demissões, ''coisa que até agora ainda não aconteceu'', disse o dirigente sindical Núncio Manalla. Segundo ele, o governo poderia se envolver politicamente para forçar a nacionalização das peças dos carros montados pela Renault no Paraná.
Conforme documentação apresentada pelo sindicato, apenas 2% das peças dos carros fabricados no Paraná como o Clio e o Scénic são nacionais. O restante é importado. ''Coisas absurdas como cinzeiros, anel de vedação de plástico e até os adesivos e o logotipo da marca Renault são importados'', contou o sindicalista.
Em reunião mantida com a direção da Renault, os diretores disseram aos sindicalistas que os governos federal e estadual poderiam se envolver para elevar o índice de nacionalização das peças e baratear o custo dos veículos no mercado interno. (V.C.)

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