Sindicato pede ajuda do governo para conter a LER
O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região quer o envolvimento do governo do Estado para conter o aumento da incidência de doenças provocadas por Lesão por Esforço Repetitivo (LER) nas empresas automotivas e metalúrgicas do Paraná. O sindicato alega que 3 mil novos casos estão surgindo por ano no Estado e não está havendo a comunicação correta por parte das empresas ao INSS, motivo que está gerando muita apreensão entre os trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, está preocupado com o aumento da incidência de doenças provocadas por LER na montadora Volkswagen/Audi. Conforme a Folha adiantou na semana passada, investigação da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT-PR) constatou a existência de 159 casos de trabalhadores com LER na montadora, sendo que a empresa fez a comunicação correta de apenas 12 casos. Os demais não foram reconhecidos pela Volkswagen como doenças provocadas por LER, doença que o trabalhador tem um ano de estabilidade após o retorno da licença médica.
Diante do gravidade da situação, Butka alega que a Secretaria de Estado do Trabalho e a Secretaria de Estado da Saúde, através do Centro Metropolitano de Atendimento à Saúde do Trabalhador (Cemat), devem debater o problema e juntos com o sindicato e empresa encontrar fórmulas para reduzir a incidência de doenças ocupacionais que têm levado à invalidez e demissão de funcionários.
Foi o caso de uma trabalhadora da Volkswagen, que preferiu não se identificar por temer represálias já que seu marido ainda trabalha na montadora. Ela teve lesão grave na costela, provocada por esforços repetitivos. Submeteu-se a uma cirurgia onde teve parte da costela arrancada que a deixou inválida. Quando retornou ao trabalho foi demitida.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Nuncio Manalla, acusa a Volkswagen/Audi de importar um modelo inadequado de linha de montagem para as condições brasileiras. Segundo ele, a linha existente na fábrica de São José dos Pinhais é originária da Alemanha, onde os funcionários trabalham 28 horas por semana. Aqui, em Curitiba, os funcionários trabalham 52 horas por semana.
Ele diz que é necessário discutir o modelo de trabalho da montadora, já que os trabalhadores são submetidos a uma linha de montagem em que os movimentos são rápidos e repetitivos, sem que eles tenham tempo de descanso.
A Volkswagen/Audi contesta as denúncias feitas pelo sindicato, argumentando que nunca demitiu pessoas afastadas por doenças ocupacionais. Segundo a empresa, todo o funcionário licenciado por motivo de saúde tem direito a um ano de estabilidade. Sobre a comunicação correta das doenças ocupacionais, a empresa afirma que elas precisam ser comprovadas pelo INSS, o que não ocorreu nos casos apontados pela DRT.





