Curitiba - O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba está negociando com a Case New Holland (CNH) a redução da jornada semanal de trabalho da unidade de Curitiba para evitar novas demissões. A informação foi passada pelo diretor sindical Vilner Vander Tessari, que espera que o acordo seja fechado ainda esta semana.
No início do mês, 220 funcionários foram demitidos por conta da crise que afeta o setor de equipamentos agrícolas. A empresa já anunciou que dará férias coletivas de 20 dias a partir do próximo dia 14, para os empregados da fábrica de colheitadeiras, e a partir do dia 21, para os da fábrica de tratores. Medida semelhante já havia sido tomada no final de 2004 e na semana do Carnaval.
Segundo Tessari, os empregados trabalhariam dois ou três dias por semana, enquanto a produção de tratores e colheitadeiras na Divisão Agrícola da CNH não retomar seu ritmo normal. Os dias não trabalhados seriam compensados futuramente.
O fracasso nas vendas, disse Tessari, teria reduzido a produção de colheitadeiras de 20 para cinco unidades por dia. Já no setor de tratores, segundo ele, a redução teria sido de 60 para 45 unidades diárias.
A CNH não divulga os números de produção por questões estratégicas, informou a assessoria de imprensa. Confirmou, no entanto, que está negociando com o sindicato várias alternativas para evitar novos desligamentos, entre elas, a redução da jornada de trabalho. A unidade de Curitiba tem, agora, 1.580 empregados.
Em nota oficial, a CNH informou que ''a unidade de Curitiba da Divisão Agrícola está tomando algumas medidas para ajustar a sua operação à nova realidade dos mercados agrícolas brasileiro e latino-americano''.
A exemplo do que informou a Massey Ferguson/Agco, em matéria publicada ontem pela Folha, a CNH também alega que ''esses mercados sofreram uma profunda reversão de expectativas nos últimos três meses'', com a desvalorização do dólar e a redução das importações pelo mercado chinês. A previsão de uma safra recorde nos Estados Unidos e nos outros países produtores e exportadores de soja, também afeta o setor agrícola latino-americano, com a perspectiva de aumento dos estoques mundiais e a queda da cotação do produto no mercado internacional.
Ainda de acordo com a nota da CNH, ''o segmento de colheitadeiras caiu pela metade nos últimos três meses em relação ao mesmo período do ano passado''. Somente em fevereiro, a queda teria sido de 63%. ''A perspectiva é de que esse quadro não será revertido no curto prazo'', afirma a nota.

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