Sindicato mantém projeto de ''compras em escala''
Katia Baggio
Especial para a Folha
A recusa das revendas de insumos - cooperativas e empresas particulares - em participar do Dia D Agronegociação, causou surpresa ao Sindicato Rural, organizador do evento. Na última terça-feira, uma assembléia extraordinária decidiu a posição dos associados com relação ao comportamento dos vendedores, uma vez que havia expectativa de bons negócios.
O Dia D Agronegociação seria realizado no próximo sábado e, segundo previsão do Sindicato Rural, deveria reunir 229 produtores, inscritos com antecedência (representando uma área de 45 mil ha) que se somariam aos participantes potenciais: só o Banco do Brasil levaria para o evento 350 produtores, segundo o presidente do Sindicato Rural, Edison Mazei Ponti. Seriam cerca de 550 compradores. Eles teriam deixado na mesa dos comerciantes mais de R$ 16 milhões, calcula.
A assembléia aprovou as seguintes medidas: 1) O Dia D Agronegociação é transformado em programa definitivo de agronegócios a ser realizado no próprio sindicato, 2) Os produtores sempre que possível vão evitar compras individuais de insumos: formarão grupos para conseguir escala e aumentar seu poder de negociação de preços, 3) Uma comissão de agricultores estará presente no local onde seria realizado o evento, no dia 24, às 10 horas, em manifesto pela decisão dos agentes fornecedores em não participar. Na oportunidade apresentarão uma lista de produtos e quantidades que pretendem adquirir em conjunto.
Para a agricultora Gisele Turquino, de Londrina, não se pode perder de vista a idéia do Sindicato de negociar em escala porque esta moda vai pegar em nível nacional e muita coisa vai mudar na agricultura.
Para o cafeicultor Alfeu Bessa, os comerciantes não estão preocupados em baixar o preço dos produtos. Eles teriam seus preços avaliados ao mesmo tempo. Claro que não seria vantajoso esse confronto, conclui.
O presidente da Anpara - Associação Norte Paranaense de Revendedores Agroquímicos, Itar Ogawa, argumenta que o erro do Sindicato foi organizar um evento sem consultar os envolvidos.Nós explicamos a Edison Ponti que muitos revendedores estão inadimplentes e, por isso, os fornecedores estão reestudando o limite de crédito para a safra de verão. Sem preço, como participar de uma negociação?.
Ogawa disse também que as revendas estão negociando compras feitas antes da variação cambial. Compramos em dólar e temos que vender em real com 12 meses de carência, mas os tributos são pagos em 30 dias. Acredito que cerca de 40% das empresas do setor estão com a mesma dificuldade para quitar suas dívidas, calcula Ogawa.
Para o diretor superintendente da Valcoop, Jelsumino Vareschi, não era interessante vender em um evento como o proposto pelo Sindicato Rural de Londrina. A cooperativa se preocupa com a demanda específica dos associados.





