Sindicato já alerta para 'reação violenta' na Ford
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quarta-feira, 23 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, está alertando a direção da Ford sobre a possível reação que os 6,1 mil trabalhadores da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) poderão ter, caso sejam confirmadas as demissões de 2,8 mil operários, a partir do dia 4 de janeiro. Lembrando o passado de reações drásticas dos metalúrgicos da empresa, Marinho afirmou: Não venham nos responsabilizar por qualquer ação mais radical.
De acordo com ele, uma reação violenta dos trabalhadores seria justificada pela decisão da Ford de demitir 41% de sua força de trabalho. Há uma lei da física que explica que uma ação provoca uma reação da mesma dimensão, afirmou o presidente do sindicato, ao chegar para a reunião que discute, no Palácio dos Bandeirantes, a proposta de renovação da frota paulista.
Marinho, que já disse que uma greve seria uma reação pequena, disse que é imprevisível antever o que poderá acontecer no primeiro dia útil do mês de janeiro, o dia 4. Desde anteontem o sindicato está orientando os operários da Ford que receberem a carta de demissão que compareçam normalmente ao trabalho no próximo dia 4, às 6 horas da manhã. Na porta da fábrica, uma assembléia discutirá a questão.
Ontem pela manhã, Marinho foi procurado por um secretário do prefeito de São Bernardo do Campo que perguntava se o governante deveria procurar a direção da Ford tentando uma solução alternativa para a demissão dos trabalhadores. O sindicalista agradeceu a ajuda e disse que o prefeito deveria procurar os dirigentes da Ford.
Até ontem à tarde, ele não havia recebido nenhum retorno do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, que na segunda-feira se dispôs a procurar a direção da montadora.
Marinho reafirmou que a produção nacional de veículos em 1999 deverá ser de 1,1 milhão de veículos, descartando a previsão das montadoras de que a produção mínima será de 1,4 milhão de carros. Isso é conversa para boi dormir, afirmou, dizendo que a previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tenta apenas criar um clima favorável que estimule as vendas.


