Sindicato dos postos apóia alta frequente de combustíveis
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quarta-feira, 22 de maio de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis) considera o reajuste mais frequente no preço dos combustíveis perfeitamente normal dentro de um mercado livre, que vigora no Brasil desde o começo do ano. Anteontem a Petrobras informou que isso pode acontecer em julho.
De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, como o mercado dos combustíveis foi aberto em 1º de janeiro, o valor do produto deveria flutuar livremente. O Chile, que possui um mercado muito parecido com o nosso, teve 40 variações no preço do combustível no ano passado, disse. Para ele, a livre flutuação, sem intervenção governamental, beneficiaria o consumidor.
Hoje está instalado um dumping, com os postos vendendo gasolina a R$ 1,47, sendo que compram na refinaria a R$ 1,46, sem margem de lucro nenhuma. Aí vêm o adulterador e o sonegador, que realmente prejudicam o consumidor, afirmou Fregonese. Ele disse que iria entrar com uma representação no Ministério Público Estadual pedindo investigação sobre a prática do dumping. Não acredito que nenhum posto consiga se manter com menos de R$ 0,10 de margem de lucro por litro, disse.
Segundo Fregonese, a tendência é de variações menores e mais constantes no preço dos combustíveis. Não podemos mais ter altas abruptas, de 10%, ou de 20%, disse. Porém, a Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) acha que o reajuste frequente prejudica os clientes. Isso quebra a possibilidade de o consumidor monitorar os preços. Só vamos ter uma economia justa se a população tiver consciência dos preços, avaliou o coordenador do Procon, Naim Akel Filho.
Para o presidente do Sindicombustíveis, se a Petrobras mantiver os preços dos combustíveis represados, vai desmotivar a entrada de outros agentes na produção e importação do produto. Atualmente, não há importação de derivados de petróleo nem as petroquímicas estão produzindo porque o preço que a Petrobras pratica é inferior ao do mercado externo, por isso não há estímulo, avaliou Fregonese. Segundo ele, neste ano os outros agentes vão começar a atuar, instituindo a concorrência de preços.
Na terça-feira, o gerente-geral de comércio interno da Petrobras, Alípio Ferreira Pinto Júnior, disse que a empresa poderia fazer reajustes mais frequentes a partir de julho, mas a empresa negou que os aumentos possam ser diários.


