Sindicato denuncia falta de fiscalização
Vânia Casado
Os problemas ambientais provocados pelas indústrias clandestinas de carnes e derivados que jogam detritos e efluentes oriundos dos abates de animais nos rios e lagoas, estão sem controle nenhum por parte dos órgãos estaduais e federais. A denúncia é do presidente do Sindicato da Indústria da Carne - Sindicarne, José Tomazeli, preocupado com a distribuição de carne de origem clandestina para o consumidor final que, segundo ele, representa 50% de toda carne consumida no Estado.
O assunto foi debatido ontem durante o Fórum sobre os Impactos Ambientais e a Indústria de Carnes, em Curitiba . O representante do Instituto Ambiental do Paraná, Altamir Carlos Lopes, afirma que das 332 empresas que estão cadastradas no Estado, o órgão tem controle sobre 90%, no que se refere ao tratamento dos efluentes. ‘‘O restante das empresas está em vias de regularização dos equipamentos’’, garante. Mas ele admite que existe muita atividade clandestina de empresas não licenciadas e que estão agredindo o meio ambiente. Ele citou que para cada empresa regularizada, existe outra de fundo de quintal, que não tem qualquer tipo de registro. ‘‘Portanto não está em dia com a lei de proteção ambiental’’, comenta Lopes.
O diretor-executivo do Sindicarnes, Péricles Salazar Pessoa, vai além da constatação do IAP. Segundo ele, entre as 300 indústrias frigoríficas de abate de bovinos, suínos e aves no Paraná, somente 70 empresas cumprem com a legislação ambiental e tratam seus efluentes através de equipamentos e lagoas de decantação. Salazar citou como exemplo de frigoríficos que não cumprem a legislação ambiental, os cerca de 110 matadouros municipais existentes no Paraná. Segundo ele, a grande maioria desses estabelecimentos. Mesmo os que atestam que são inspecionados pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e Serviço de Inspeção Estadual (SIP), não estão submetidos à fiscalização permanente como o Serviço de Inspeção Federal (SIF).
Além dos abatedouros municipais e empresas clandestinas, Salazar cita as empresas que fazem a distribuição de carnes nos grandes centros. Segundo ele, só em Curitiba funcionam cerca de 80 entrepostos de comercialização que não sofrem a ação da fiscalização, ‘‘nem financeira nem do meio ambiente, tirando poder de competição dos frigoríficos legalmente instalados’’, assinala.
Para o presidente do Sindicarnes, o consumo de 50% da carne de origem clandestina já representa um avanço, porque há dois anos, esse índice era de 70%. Ele atribui a redução no consumo de carne clandestina à ação do Ministério da Agricultura, que editou a portaria 304, que exige a distribuição e venda de carne nos grandes centros, previamente embalada e identificada na origem. Essa portaria, instituída em junho de 1996 é valida para Curitiba, Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina e Maringá.
O próximo passo, disse, será a edição de nova portaria ampliando a validade da distribuição de carne embalada para centros com até 100 mil habitantes. ‘‘Mas a grande luta do setor será a assinatura da portaria que prevê a distribuição de carne desossada desde o frigorífico’’, destacou. Com isso a indústria clandestina fica sem espaço para trabalhar, porque os cortes de carne desossada exigem padronização que somente os frigoríficos organizados estão habituados, explica Tomazeli.

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