Sindicato condena mau uso do benefício
O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Londrina condena o que define como mau uso do seguro-desemprego. Avaliamos que esta é uma conquista muito importante para os trabalhadores e que não pode haver o seu desvirtuamento, afirma o presidente do sindicato, Denilson Pestana da Costa. Ele esclarece que o sindicato realiza uma campanha de conscientização sobre o assunto junto aos trabalhadores. Orientamos que a pessoa pode até responder criminalmente se receber o benefício de forma indevida, apropriando-se de um dinheiro que não é dela.
Pestana afirma que o sindicato faz um trabalho de fiscalização nas obras para cobrar o registro dos funcionários em carteira, o que tem contribuido para reduzir a informalidade no setor. Ele concorda que a construção civil tem alta rotatividade pelas próprias características do setor, mas afirma que a falta de operários não é consequência da quantidade de trabalhadores que recebem o seguro-desemprego, e sim da falta de planejamento para a qualificação profissional.
Para o líder sindical, a opção do trabalhador em permanecer na informalidade para receber o benefício pode prejudicá-lo em um momento de real necessidade e também na hora da aposentadoria. Hoje a aposentadoria se dá por tempo de contribuição e não por tempo de serviço. Assim, cada dia que a pessoa trabalha sem registro é um dia a mais que ela precisa trabalhar no futuro para se aposentar, justifica.
Análise
O economista Renato Pianowski de Moraes considera normal o número de trabalhadores que buscam o benefício mensalmente em Londrina cerca de 1,8 mil, segundo a agência local do Sistema Nacional de Empregos (Sine). Este número, considerando a média de parcelas recebidas, corresponde a cerca de 3% da população economicamente ativa do município, estimada em 250 mil trabalhadores pelo IBGE. Para Moraes, o índice seria preocupante se fosse acima de 10%, por exemplo. Para ele, a falta de mão de obra se deve ao aquecimento do setor da construção na cidade e à falta de formação de mão de obra para atender a demanda. Ele não acredita que o trabalhador force a situação para receber o benefício. O que acontece, na opinião dele, é que os profissionais especializados, como marceneiros e carpinteiros, ganham bem mais trabalhando por conta própria. (E.A.)





