Sindicato alerta para monopólio do cimento
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaSem saídaGustavo Berman, presidente do Sinduscon: Não compramos cimento de outros Estados porque o transporte encareceria o produto. A importação também não é solução, porque a mercadoria entra no mercado brasileiro com preço similar ao do produto nacionalA Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (Sade) deve dar um parecer nas próximas semanas sobre a compra de um terço das ações da indústria de cimentos Itambé pelo Grupo Votorantim. A Sade irá avaliar se houve ou não intenção de formação de monopólio para a fabricação de cimento no Estado. O pedido de investigação partiu do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-PR), que entregou em 31 de janeiro uma representação no Ministério.
A Companhia de Cimentos Portland Rio Branco, empresa do Grupo Votorantim, comprou o lote das ações de acionistas que não tinham mais interesse na Itambé, controlada pelo Grupo Slaviero. A operação se deu através de uma terceira empresa, a Silcar Empreendimento, Comércio e Participação Ltda. A assessoria de imprensa da Cimentos Portland Rio Branco informou que a negociação com a Itambé foi de R$ 120 milhões. A operação de compra das ações aconteceu no final de outubro do ano passado.
As construtoras paranaenses não viram com bons olhos a venda das ações para o Grupo Votorantim. Elas temem que a produção de cimento no Estado fique apenas com uma empresa, o que poderia provocar aumento no preço do produto. Em fevereiro, uma saca de 50 quilos de cimento custava R$ 5,50. A cotação está na média nacional. O preço mais caro é verificado no Rio Grande do Sul, onde a saca custa R$ 6,00.
A Votorantin domina 40% do mercado nacional de cimento, que consumiu 28,2 milhões de toneladas em 1995 (último levantamento do Sinduscon). O restante do mercado está dividido entre as empresas João Santos, Paraíso, Mauá e outras 15 pequenas indústrias espalhadas pelo País. No Paraná, a Cimentos Portland Rio Branco e a Itambé abocanham 100% da demanda. A Itambé tem uma fatia de aproximadamente 25% do mercado paranaense.
Se a Votorantim detiver o controle acionário da Itambé, estaria caracterizado o monopólio, acredita o presidente do Sinduscon, Gustavo Berman. Não poderemos comprar cimento de outros Estados porque não compensaria financeiramente por causa do transporte, afirmou Berman. A importação também não é vantajosa, porque o produto entra no País com o mesmo preço do nacional.


