Sindicato acusa Renault de pressionar por adesão ao PDV
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os trabalhadores da Renault estão sendo pressionados pelos supervisores a aderirem ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), que iniciou ontem e estará em vigor até o próximo dia 16. A acusação é do sindicalista Paulo Pissinini, que disse ter recebido denúncias de metalúrgicos ontem. O sindicato da categoria reafirma que não fará nenhuma homologação de demissão de funcionários.
Além do PDV, o sindicato está preocupado com as demissões que já começaram a ocorrer entre as empresas fornecedoras da Renault. Também para esses trabalhadores o sindicato não fará as homologações, informou Pissinini.
Durante todo o dia de ontem, os sindicalistas tentaram agendar uma audiência algum representante do governo do Estado, mas não foram atendidos. Eles recorreram ao prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Settim, que se comprometeu em agendar uma audiência. Mas os esforços do prefeito também foram em vão.
''Se as pressões sobre os metalúrgicos continuarem e se o governo do Estado se recusar em nos atender, vamos fazer a assembléia dos metalúrgicos da Renault em frente ao Palácio Iguaçu'', ameaçou Pissini. Os metalúrgicos acreditam que o envolvimento direto do governador Jaime Lerner (PFL) pode reverter o PDV.
Os metalúrgicos querem negociar alternativas que substituam as demissões, informou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudio Gramm. ''Se houve empenho do governo em assinar o protocolo de intenções para atração da empresa, tem que haver algum tipo de compromisso com a manutenção dos empregos'', disse Gramm.
Segundo Gramm, apesar do PDV estar em vigor desde ontem, o sindicato não discutiu nenhuma cláusula com a empresa. A orientação é para que nenhum trabalhador faça adesão ao programa, porque se isso ocorrer ele perde o direito ao seguro-desemprego. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, nenhum trabalhador formulou adesão ao PDV ontem. Segundo a assessoria da Renault, não serão dadas informações sobre adesão ao PDV até o encerramento do programa.
No PDV a empresa está oferecendo um salário a cada 12 meses de trabalho, dois salários a cada 24 meses trabalhados e 2,5 salários a cada 36 meses trabalhados. Quem tem 36 meses, recebe em média R$ 1.500,00 no PDV, que corresponde ao seguro-desemprego. ''Não vale a pena o trabalhador assinar o PDV'', disse o sindicalista Paulo Pissinini.


