O presidente do Sindicato da Indústria da Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarnes), Péricles Salazar, disse que ainda não foram calculados os prejuízos para a categoria com a suspeita de foco de febre aftosa no Estado. Cerca de 14% da carne produzida no Estado é exportada, a maior parte para a União Européia (UE) e para a Rússia. Segundo ele, somente o comércio com a UE foi suspenso.
Salazar acrescenta que o Paraná deixou de exportar para a Europa desde que foi confirmado o foco da doença no Mato Grosso do Sul, no final de setembro. Sobre o mercado interno, ele disse que somente Santa Catarina fechou a fronteira com o Paraná, porque o Estado é considerado área livre de aftosa sem vacinação,
Para os pecuaristas que tiveram suas propriedades isoladas o prejuízo ainda é incalculável. Segundo Bruno Alexandre Von Der Leyen, proprietário da Fazenda Santa Izabel, de Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana), os prejuízos têm sido grandes. Ele disse que 93 animais de sua propriedade tinham sido comercializados antes do anúncio da suspeita da doença e que agora as vendas foram canceladas. ''Me sinto engessado porque não posso fazer nada. Os resultados estão demorando muito'', afirmou.
Já Bruno Bonalume, representante da Fazenda São Luiz, de Amaporã (43 km a oeste de Paranavaí), disse que três garrotes estão isolados, com suspeita de ter a doença. ''Dois deles apresentam lesões na boca, mas a sintomatologia não é de febre aftosa'', garantiu. Ele ainda não calculou os prejuízos com a suspeita, mas disse que parte do seu rebanho - de 1,7 mil cabeças - está isolado e que os bezerros que estão nascendo nesse local não estão recebendo os cuidados necessários.
Juceval de Sá, um dos coordenadores da ExpoToledo, informou que dois animais foram isolados pela Seab porque apresentaram reação vacinal à aftosa. ''Mas não há sintomatologia porque eles estão junto com suínos que não apresentaram qualquer sinal da doença'', afirmou. Por causa disso, outros 250 animais continuam no parque de exposições, em quarentena. ''O prejuízo é grande, não quero nem pensar'', disse.
Irresponsabilidade - Para o presidente da Faep, Ágide Meneguetti, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agiram com irresponsabilidade ao não repassar os recursos para a defesa animal aos Estados. ''Eles liberaram apenas 3% do orçamento previsto. O governo estadual precisa de apoio, principalmente na fiscalização das fronteiras, que é mesmo de responsabilidade do governo federal'', comentou. (F.M.)

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