''As altas no preço da arroba do boi gordo (R$ 46,00/arroba, ontem, em Maringá), acentuadas na última semana, são exageradas e correspondem a uma visão distorcida da realidade brasileira, por parte dos pecuaristas''. Essa é a opinião do economista do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne), Gustavo Fanaya. Em entrevista, ontem, ele afirmou ser necessário que o setor de carnes cresça como um todo e que nem os frigoríficos, nem os consumidores têm condições de bancar este aumento de preços. ''E o pior é que a maioria dos pecuaristas tende a reter o produto, na expectativa que os preços aumentem ainda mais'', comentou Fanaya.
Segundo o economista, a classe pecuarista tem uma forma de conduzir as negociações de venda interna sempre baseada nos parâmetros de exportação, tendo o dólar como principal referencial. ''Parece que eles se esquecem que 92% da produção é vendido internamente, e que enquanto a arroba do boi cresceu 84% nos últimos dois anos, o poder aquisitivo do brasileiro está ficando menor, com um sálário que mal dá para saudar as contas do mês anterior'', salientou.
E entre as maneiras de reduzir os gastos com alimentação, entra a diminuição do consumo de carnes, a procura por cortes mais baratos, e a substituição, preferencialmente, por carne de frango. ''É preciso estarmos alertas, e não nos animarmos com as notícias frequentes que o Brasil vai exportar mais. Em pouco tempo, a Argentina e o Uruguai irão se reestruturar, sanando o problema de aftosa, e voltarão a competir novamente no mercado externo com preços menores. Por isso, devemos cativar o mercado interno e unir forças para que o setor cresça e se mobilize'', afirmou Fanaya.
Quanto ao mercado externo, Fanaya disse que o retorno será a longo prazo, quando o Brasil realmente conseguir avançar nas negociações com a Organização Mundial do Comércio, garantindo a diminuição das barreiras comerciais com a Europa e Estados Unidos. ''Na verdade, não vendemos para o exterior, e sim 'somos comprados''', referindo-se ao seleto grupo de traders que monopolizam as negociações de compra da carne brasileira, e assim definem preços. ''Não podemos negociar diretamente com os mercados externos e participar de uma livre concorrência em que a qualidade do produto seja a nossa principal arma'', finalizou.
O Paraná estima abater este ano cerca de 780 mil cabeças de gado, sendo que desse total, 15% deverá ser direcionado à exportação. Ontem, a cotação máxima da arroba foi de R$ 46,00, em Maringá (média estadual: R$ 43,00).

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