Curitiba - O Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes), que representa os frigoríficos no Estado, conseguiu uma liminar que autoriza o restabelecimento dos abates, produção e exportação de carnes. Essas atividades foram prejudicadas na manhã de ontem em função da greve dos fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura e do Abastecimento. O movimento iniciou ontem com a adesão total dos 250 fiscais no Paraná. O Ministério da Agricultura apresentou proposta para iniciar negociações mas a mesma foi rejeitada pelo sindicato da categoria.
Conforme avaliação do presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar, cerca de um terço da produção de carnes do Paraná, desde carnes bovina, suína, de aves e indústria de embutidos, foi paralisada em função da greve. A situação voltou ao normal após as 13 horas, quando a decisão judicial foi enviada às indústrias filiadas. A decisão foi da juíza Vera Lucia Feil Ponciano, da 8 Vara Federal, de Curitiba.
A juíza autorizou que o serviço público dos fiscais agropecuários fosse substituído pelo serviço de médicos veterinários contratados pelos frigoríficos. No Porto de Paranaguá, as exportações foram suspensas com a falta da emissão dos certificados para exportação das cargas.
Apesar da decisão judicial, os fiscais prometem manter a greve por tempo indeterminado, informou o presidente da Associação dos Fiscais Federais Agropecuários do Ministério da Agricultura no Paraná, Hugo Caruso. Segundo ele, a categoria vem reivindicando equiparação com o Plano de Cargos e Salários autorizado para os fiscais da Receita Federal, da Previdência e do Ministério do Trabalho, há três anos. Os fiscais destas categorias têm salário inicial de R$ 3.090, enquanto os fiscais agropecuários ganham R$ 1.775.
Caruso disse que a categoria é responsável pela agilização da exportação e importação de produtos e insumos agropecuários, que determina o sucesso da balança comercial brasileira. No Paraná, os serviços foram prejudicados na aduana em Foz do Iguaçu, no aeroporto Afonso Pena e no Porto de Paranaguá, com a falta da emissão de licenças para importação e certificados para exportação.
O delegado do Ministério da Agricultura do Paraná, Valmir Kowaleski, disse que o Ministério do Planejamento apresentou uma proposta de reajuste salarial para abrir o canal de negociação com os fiscais. Segundo Kowaleski, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, pediu um prazo até 31 de março para que os fiscais avaliem a proposta apresentada.
A proposta prevê o reajuste de 4% sobre o valor básico de remuneração, gratificação de 30% sobre a maior remuneração da tabela salarial, medida estendida aos servidores inativos e pensionistas e redução dos níveis da tabela de 20 para 13. Segundo Caruso, a proposta foi rejeitada e foi interpretada como uma tentativa de desmobilização da categoria.

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