Sindicarnes acusa supermercado
Péricles Salazar, diretor executivo do Sindicarnes, avisa que a indústria não tem como atender ao pedido dos produtores, porque a retração do consumo inibe o aumento do abate, fator que reacenderia um reajuste nos preços do suíno. Ele culpou o setor supermercadista pelo baixo consumo de carne e produtos derivados de suínos. O Sindicarnes fez uma pesquisa em supermercados de Curitiba e do Interior, no mês de julho, e constatou que os supermercados praticam uma margem que chega a 50%, em média, entre a compra e venda dos produtos. ‘‘Com preços mais altos, o consumidor se retrai e a produção não é escoada como poderia’’, acusa.
A Associação Paranaense de Supermercados (APS) questiona o resultado da pesquisa feita pelo Sindicarnes. O diretor executivo da APS, Valmor Rovaris, disse que em pesquisa pessoal feito com um único supermercado de Curitiba, concluiu que a margem média dos mesmos produtos pesquisados não ultrapassa 22%. E essa margem (mark up) inclui o pagamento de impostos que são altos, sendo que a margem final para os supermercados é muito pequena, entre 1% e 2%, apenas.
Segundo o Sindicarnes, dos 9 quilos de carne de suíno consumidos por ano, por pessoa, 8 quilos correspondem ao consumo de produtos derivados como linguiças, presuntos, apresuntados, etc. ‘‘São esses os produtos, cujas margens de venda são as mais altas’’, justificou Salazar. Rovaris defende os associados da APS, dizendo que o alvo da indústria deve ser outro, sugerindo que o grande sócio dos supermercados é o governo, que abocanha uma média de 35% a 40% de impostos na venda dos produtos no varejo. ( V.C.)

mockup