O Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne/PR) divulgou nota ontem informando que considera importante o repasse de R$ 7 milhões do Ministério da Agricultura para investimentos em defesa sanitária no Paraná, mas alerta para que a contrapartida do Estado se expresse rapidamente e dentro dos termos do convênio que prevê a contratação de 100 médicos veterinários e 40 engenheiros agrônomos.
É uma corrida contra o tempo - lembrou ontem o diretor-executivo do
Sindicarne-PR, Péricles Pessôa Salazar -, caso contrário não vamos ter condições de concluir os exames de sorologia e apresentá-los no ano que vem à Organização Internacional de Epizootias (OIE), que se reúne apenas duas vezes por ano, em janeiro e maio, em Bruxelas.
Sem mão-de-obra especializada será impossível cumprir as exigências tanto do convênio como da OIE que é o braço direito da Organização Internacional do Comércio (OIC) para assuntos de Defesa Sanitária Animal. O pedido de contratação dos profissionais foi aprovado pela Assembléia Legislativa em junho deste ano. No entanto, até agora o processo continua em tramitação burocrática no governo e ninguém sabe ao certo onde se encontra e o porquê da morosidade.
Para o Sindicarne/PR, uma vez que as contratações estão demorando, sem motivo aparente, tem-se a nítida percepção de que não será no ano de 98 que o Paraná vai conseguir apresentar seu pedido de liberação de área junto a OIE. O Sindicato - que representa o setor organizado da comercialização e industrialização de carnes - acompanha o processo e colabora com o governo porque o assunto é da maior importância para o setor e para a economia do Estado e ainda porque a sanidade animal interessa aos consumidores internos.
O diretor-executivo do Sindicarne/PR, Péricles Salazar, lembrou que as exportações de carne suína do Paraná para a União Européia estavam suspensas desde 1978, quando surgiu a peste suína africana, já erradicada há muito tempo em nosso Estado. Com relação à carne bovina, há uma exigência dos europeus de somente liberar as importações do Paraná quando conseguíssemos controlar a aftosa.
Em maio deste ano, fez dois anos que o Paraná já não apresentava febre aftosa. Portanto, já está apto a pedir declaração de área livre com vacinação. Com relação à peste suína clássica, o Paraná já é considerado livre sem vacinação.
Ainda sobre a aftosa, Péricles explicou que a exigência dos países importadores europeus, cuja norma é ditada pela OIE, é que o país exportador deva estar, no mínimo, dois anos sem a doença. Para confirmar esta condição, a norma da OIE estabelece pelo menos dois procedimentos para que o País possa requerer condição de ‘‘área livre com vacinação’’ junto ao organismo internacional: a) Realização de exames de sorologia no plantel paranaense (sorologia significa exames de sangue para verificar a existência ou do vírus), b) Descrição detalhada dos procedimentos oficiais sanitários, por parte do Ministério da Agricultura.
O problema começa aqui: já completamos dois anos sem foco, mas precisamos realizar a sorologia e outras exigências, para apresentar nosso pedido de ‘‘área livre’’ com vacinação na reunião do mês de janeiro próximo, que a OIE realizará em Bruxelas. A urgência da contratação de profissionais é vital para a economia paranaense.

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