Sindicarne diz que setor precisa se modernizar
O frigorífico que não procurar se modernizar e buscar novos nichos no mercado corre o risco de sucumbir à crise que o setor está enfrentando. A análise é do diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes (Sindicarne/PR), Péricles Salazar. Segundo ele, os frigoríficos estão com problemas de liquidez por causa do descompasso entre os preços da arroba do boi gordo e os preços da carne. A arroba do boi está cotada a R$ 28,50 e o boi casado (peças de carne do dianteiro e traseiro) é vendido por R$ 29,00, afirmou (dados da semana passada).
Outro problema apontado por Salazar é a inadimplência enfrentada pelo setor. Os frigoríficos não conseguem receber nem dos supermercados, comentou. Com isso, disse Salazar, os frigoríficos recorrem a financiamentos bancários para conseguir capital de giro. Com juro alto, o rombo cresce de forma incontrolável, disse.
Péricles acredita que o setor está passando por um processo seletivo, e que irão sobreviver apenas os frigoríficos que se adequarem à nova realidade econômica. Quem não tiver competência gerencial e escala não vai sobreviver, afirmou.
Para o diretor do Sindicarne/PR a entrada em vigor da Portaria 145, que estabelece novas regras para a comercialização da carne, como a desossa, é uma oportunidade para os frigoríficos se modernizarem. O frigorífico que ficar só no abate e venda da carcaça não terá espaço. É preciso buscar novos cortes, oferecer novos produtos, enfim, agregar valor à produção, disse. Salazar observou que os frigoríficos que já se adequaram à Portaria 304, de abril de 96, terão menos problemas para se ajustarem às novas exigências do mercado.Josoé de CarvalhoPéricles:
frigoríficos não
conseguem receber nem
dos supermercadosGuto Rocha





