Curitiba - O anúncio do embargo pela Argentina às carnes e derivados do Paraná, feito na terça-feira, foi um balde de água fria para o setor produtivo que, no início da semana, havia se animado com a abertura do mercado israelense para quase todo o País. A exportação de carne bovina do Paraná para o país vizinho é inexpressiva - cerca de três toneladas por mês, em contratos esporádicos. Mas, no caso dos suínos, o mercado argentino é o 10º principal destino das exportações do Estado.
''O embargo da Argentina anulou o efeito positivo que teria o afrouxamento de Israel'', analisou o economista do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne), Gustavo Fanaya. Ele acredita que a suspeita de focos de febre aftosa não foi a motivação para o embargo. Aposta em uma pressão por parte dos suinocultores argentinos para barrar a carne suína brasileira, que ficam em desvantagem em relação aos produtores brasileiros.
A desconfiança é embasada em dois argumentos. Para Fanaya, a restrição aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que não são considerados de risco para a doença, é o principal deles. O economista pondera a coincidência do embargo aos três estados do sul (além de Mato Grosso do Sul), justamente, os maiores exportadores de carne suína para a Argentina. ''Foi uma atitude, nitidamente, protecionista'', afirmou. Somente o Paraná exporta para a Argentina perto de 50 toneladas por mês de carne suína, o que corresponde a um faturamento próximo de US$ 100 mil.
''O impedimento da entrada de carne suína brasileira pode representar a possibilidade da cadeia produtiva argentina atingir sua auto-suficiência'', disse o economista, considerando a tendência do preço da carne produzida lá aumentar e os produtores se sentirem motivados a aumentar seus plantéis. ''A Argentina tem a perspectiva de ocupar os espaços que, há quatro anos, foram ocupados pelo Brasil, quando eles tiveram um problema (de sanidade animal) semelhante''. Fanaya acredita que o embargo argentino pode levar outros países como Peru, Cuba e Indonésia a também suspenderem a compra de carne suína brasileira. Já o embargo de Marrocos não afeta o Paraná.
Enquanto o setor produtivo avalia os prejuízos dos embargos externos, os pecuaristas seguem na expectativa da flexibilização das barreiras sanitárias nos 36 municípios do Paraná. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou, ontem, por meio da assessoria de imprensa, que a redução para um raio de 10 quilômetros das propriedades interditadas ainda depende do relatório conclusivo dos exames feitos nos animais.

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