Os sindicalistas que representam os trabalhadores do Porto de Paranaguá olham com desconfiança a entrada da iniciativa privada na exploração do Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon). O receio deles é o desemprego da maioria dos portuários. Os sindicatos defendem a contratação de mão-de-obra pelo atual sistema de rodízio, pelo qual todo mundo tem acesso ao trabalho, e não pela contratação fixa, como gostaria o consórcio Redram/Transbrasa. Caso não haja acordo, eles ameaçam radicalizar e não descartam a possibilidade de greve na próxima semana.
A forma de trabalho defendida pelos sindicalistas é o esquema de contratação temporária, segundo o qual o sindicato responsável pela categoria indica quais portuários vão fazer o serviço. ‘‘Não somos contrários à entrada do consórcio privado, mas queremos que eles não afetem os nossos trabalhadores’’, alertou o presidente do Sindicato dos Arrumadores, Sérgio Mendes. Ele informou que os arrumadores conseguem ter uma renda mensal de R$ 700, enquanto a Redram/Transbrasa propõe para eles um salário fixo de R$ 400, que seria pago a um grupo de 50 homens. Mendes disse que se a proposta se viabilizar, outros 1.050 arrumadores ficariam ‘‘a ver navios’’.
O presidente do Sindicato dos Condutores e da Intersindical do Porto de Paranaguá, Ademir Scomasson, faz coro com Mendes. ‘‘Nós somos cerca de mil trabalhadores. Se eles contratarem 40, como é que vai ficar o restante?’’. (C.M.)

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