Sindicalistas querem seguro maior
O presidente da Força Sindical no Paraná, Sérgio Butka, afirmou ontem que uma das propostas que será apresentada ao governo federal na terça-feira, em Brasília, será a ampliação do prazo de pagamento do seguro desemprego de seis para 12 meses. A idéia foi defendida ontem durante uma reunião entre representantes de sindicatos de trabalhadores e o economista do Dieese, Nelson Karam. Eles se reuniram para analisar pacote de ajuste anunciado quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Como alternativa para amenizar a situação financeira dos desempregados, a Força Sindical vai pedir ainda que as empresas forneçam vale transporte por mais um mês para os ex-funcionários. Estas medidas podem parecer pequenas, mas facilitam a vida de um desempregado, que terá que procurar novo emprego, afirmou Sérgio Butka.
Durante a reunião, Nelson Karam defendeu a tese de que os sindicatos têm de se reunir para defender uma mudança no modelo econômico adotado pelo governo federal. O atual sistema tem fragilidades, pois depende do capital externo e privilegia o capital especulativo, afirmou o economista, reforçando a tese de que o Plano Real acabou com a inflação, mas não trouxe o crescimento para o País.
Ele afirmou ainda que a equipe econômica errou ao não adotar uma política de reajuste cambial, preferindo manter uma taxa elevada de juros para segurar o consumo interno. A questão cambial é o grande nó do plano real, afirmou. Como consequência direta da situação econômica do País, deverá ocorrer desemprego em massa. Segundo estimativa do IBGE, o índice médio de 8% de desempregados poderá saltar para 12,5% no início do próximo ano, o que representaria mais 3 milhões de demitidos.
O Dieese critica ainda o fato de o ajuste fiscal e corte de gastos não terem sido feitos junto com as medidas compensatórias na área da qualificação profissional. O governo tem de tentar estabelecer regras de transição, ampliando o seguro desemprego e investindo mais em qualificação, afirmou Nelson Karam. Somente na Região Metropolitana de Curitiba há cerca de 200 mil desempregados - cerca de 15% da população economicamente ativa, segundo o Dieese.Arquivo FolhaSérgio Butka, presidente da Força Sindical: proposta na terça-feiraCarmem Murara





